O Embraer E195-E2 ganhou uma responsabilidade bem maior na KLM. A companhia holandesa desistiu de incorporar o Airbus A320neo e decidiu usar mais unidades do jato brasileiro como parte de uma reformulação de sua operação na Europa.

A mudança foi anunciada nesta quinta-feira (5) dentro de um amplo pacote para melhorar os resultados da KLM. A empresa manterá o A321neo, maior modelo de corredor único da Airbus, mas o espaço anteriormente reservado ao A320neo será ocupado pelo E195-E2 operado pela subsidiária regional KLM Cityhopper.

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A ideia é trabalhar com aviões de capacidades bastante diferentes para adequar melhor a oferta à demanda. O E195-E2 da KLM Cityhopper transporta 136 passageiros, enquanto o A321neo da companhia tem 227 assentos. Boeing 737 e Embraer E190 serão retirados nos próximos anos.

Com isso, o E195-E2 deixa de ser apenas o sucessor dos E-Jets mais antigos da Cityhopper e passa a assumir parte do papel que a KLM havia reservado a um avião maior.

O A320neo iria substituir o 737 NG na KLM (Airbus)
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Mais E195-E2 a caminho?

A KLM Cityhopper já opera 25 E195-E2 e vinha discutindo uma nova encomenda antes mesmo da mudança anunciada nesta quinta-feira.

A companhia possui opções para outros 25 aviões. Maarten Koopmans, diretor da KLM Cityhopper, disse em outubro que a empresa estava avaliando o que fazer com esses direitos e pretendia tomar uma decisão ainda em 2026. Se todas as opções forem exercidas, a frota poderá chegar a 50 E195-E2.

A discussão sobre a próxima etapa da renovação não é nova. Em maio, a KLM ainda avaliava tanto a família E2 quanto o Airbus A220 para uma possível encomenda de 25 aeronaves. Mais recentemente, porém, a Cityhopper passou a falar publicamente em operar apenas o E195-E2 no longo prazo.

Hoje, além dos 25 E195-E2, a subsidiária regional conta com 17 E175 e 17 E190. A intenção anunciada anteriormente era retirar gradualmente esses dois modelos mais antigos e reduzir também o uso de aeronaves de outras companhias em regime de wet lease.

A decisão desta quinta-feira não representa uma encomenda adicional à Embraer nem confirma o exercício das 25 opções. Mas aumenta a necessidade de E195-E2 dentro da KLM justamente quando a companhia avalia dobrar sua frota do modelo.

KLM vai focar no A321neo (MarcelX42)
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A320neo nem chegou a estrear

A KLM pretendia receber tanto o A320neo quanto o A321neo dentro da grande encomenda feita pela Air France-KLM em dezembro de 2021. O grupo contratou 100 aeronaves da família A320neo e garantiu direitos de compra para outras 60, destinadas à KLM, Transavia Netherlands e Transavia France.

Na prática, a KLM iniciou sua transição dos Boeing 737 para a Airbus em 2024 com o A321neo. Nenhum A320neo chegou a ser incorporado.

Até outubro de 2025, a companhia ainda dizia que os dois modelos da Airbus fariam parte da renovação de sua frota europeia. Agora, decidiu ficar apenas com o A321neo e preencher a faixa inferior de capacidade com o E195-E2.

Rentabilidade explica mudança

Por trás da promoção do jato da Embraer está um problema que a KLM considera estrutural: sua operação ainda não produz rentabilidade suficiente, apesar da forte melhora dos resultados em 2026.

No terceiro trimestre, a companhia registrou receita de € 4,01 bilhões (US$ 4,52 bilhões) e lucro operacional ajustado de € 458 milhões (US$ 516 milhões). A margem operacional subiu de 9,8% para 11,4%.

Nos primeiros nove meses do ano, porém, a margem ficou em 4,8%, ainda distante da meta superior a 8%. A KLM quer melhorar seu resultado anual em mais € 1 bilhão (US$ 1,13 bilhão) e considera a recuperação da rentabilidade da rede europeia uma das prioridades.

É nesse cenário que entram os aviões menores. A empresa acredita que ampliar o papel da Cityhopper permitirá colocar menos assentos em mercados nos quais a capacidade do A321neo seria excessiva, concentrando seus recursos nas rotas que mais contribuem para alimentar o hub de Amsterdã-Schiphol.

A reestruturação vai muito além da frota. Cerca de 5.000 posições serão afetadas por terceirizações, transferências para a Air France-KLM e ganhos de produtividade, reduzindo em quase 15% o número de postos dentro da estrutura atual da KLM.

“Não há garantias para o futuro da KLM”, afirmou a CEO

CEO Marjan Rintel: empresa vai cortar vagas
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ao anunciar as medidas. A declaração não indica uma ameaça imediata à sobrevivência da empresa, que continua lucrativa, mas traduz a avaliação da administração de que a rentabilidade atual não é suficiente para sustentar os investimentos necessários nos próximos anos.