O desenho do Sukhoi Su-57 lembra o de caças stealth americanos (Dmitry Zherdin)

Como no recente caso da vacina contra o Covid-19, a Rússia tem pulado etapas em processos industriais para reafirmar seu orgulho nacional. Tem sido assim também com o projeto do caça Su-57, o primeiro com capacidade stealth do país (invisível aos radares).

O programa de desenvolvimento, que se arrasta desde a década passada, ainda passa por percalços, mas isso não foi suficiente para impedir que o governo de Vladimir Putin declarasse a aeronave da Sukhoi operacional e enviasse algumas delas para a Síria para testá-lo em combate.

Como não entrou em produção em série ainda, o Su-57 tem sido usado pela Força Aérea Russa por meio de seus protótipos e unidades de pré-série. São cerca de 10 caças que hoje têm limitada capacidade militar, mas servem como propaganda para o país, em sobrevoos e aparições oficiais.

Essa situação um tanto incômoda parece próxima de acabar. A Sukhoi revelou nesta semana que a linha de montagem do Su-57 em Komsomolsk-on-Amur foi atualizada e aprimorada recentemente e se prepara para iniciar a produção de 76 unidades encomendadas pelo governo russo.

A primeira delas, prometeu o vice-comandante-em-chefe da Força Aérea, tenente-general Sergei Dronov, será entregue até o final deste ano, e as demais até 2028.

Seis Su-57 em formação: sem caças de produção em série, Força Aérea da Rússia se vira com aviões de testes (Reprodução)

Atrás da China

Mesmo tendo voado em 2010, o Su-57 não conseguiu bater o caça chinês Chendgu J-20, que fez seu voo inaugural um ano depois, mas já está em condição operacional, com cerca de 50 aviões produzidos.

Embora a Sukhoi, hoje parte do grupo UAC, tenha enorme experiência no projeto e fabricação de caças, a falta de recursos tornou o desenvolvimento lento e cheio de problemas, como os motores, que cujo modelo definitivo só ficou pronto tempos atrás. A empresa também passou por um contratempo no final de 2019 quando o primeiro Su-57 de produção caiu no extremo oriente do país.

A imprensa russa, no entanto, ressalta o poderio do caça e sua tecnologia embarcada. Segundo a agência TASS, o caça de 5ª geração é capaz de voar em supercruzeiro (sem o uso de pós-combustores), possui um poderoso computador de bordo, um sistema de radar avançado e o compartimento interno de armamentos que inclui mísseis hipersônicos.

A Sukhoi garante que o Su-57 possui baixa assinatura de radar por conta dos materiais aplicados à fuselagem, ao seu formato (que lembra o de caças dos EUA) e também à baixa emissão infravermelha, a despeito de o caça utilizar saídas de motor comuns.

O primeiro protótipo do J-20 voou pela primeira vez em 2011 (CAC)

A “parceira” China foi mais rápida que os russos e já opera 50 caças Chengdu J-20 (CAC)

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