Estranho é pouco: esboço de como pode ser o novo cargueiro russo PAK VTA (TsAGI)

Um novo gigante com asas está nascendo na Rússia. A Ministério da Defesa do país aprovou as especificações de um cargueiro militar quadrimotor de última geração proposto para substituir a dupla An-22 e An-124.

Segundo informações obtidas pelo jornal russo Izvestia, o programa designado como “PAK VTA” (sigla em russo para Complexo Prospectivo de Aviação para Aeronave de Transporte Militar) pode originar uma aeronave capaz de transportar uma carga útil máxima de 80 toneladas com alcance de 5.000 km. O comprimento do compartimento de carga será de 27,5 metros por 5,8 m de largura e 4,4 m de altura.

As especificações do novo cargueiro são muito semelhantes às do turboélice An-22, exceto pela velocidade de cruzeiro, estimada em mais de 850 km/h.

De acordo com a publicação, os requisitos para o novo avião incluem capacidade para operar em pistas não pavimentadas e a possibilidade de ser reabastecido em voo por aviões-tanque, recurso que os grandes cargueiros russos não possuem. A aeronave também deve ser capaz de transportar todas as armas e equipamentos das forças militares da Rússia, incluindo helicópteros, sistemas de defesa aérea, radares e até caças MiG-31.

A força aérea da Rússia ainda opera 11 jatos An-124

O motor sugerido para equipar a aeronave é o turbojato Aviadvigatel PF-35, desenvolvido pelo grupo UAC, supostamente o mesmo propulsor que deve impulsionar o widebody comercial russo-chinês CRAIC CR929. Também é cogitado o uso de motorização híbrida-elétrica.

O estudo preliminar sobre aeronave está sendo realizado pelo Instituto Central de Aerohidrodinâmica de Moscou (TsAGI) e deve ser concluído em dezembro deste ano. A próxima etapa do projeto ficará a cargo da Ilyushin, fabricante russa parte do grupo UAC que tem longa tradição na produção de cargueiros militares.

Entre 1968 e 1970, o An-22 foi o maior avião do mundo (Aleksandr Markin – Wikimedia Commons)

Demanda por gigantes

De acordo com o The Military Balance 2020, a força aérea da Rússia ainda tem 11 jatos An-124 operando e quatro turboélices An-22 em operação. Em 2018, o comandante da aviação militar russa de transporte, tenente-general Vladimir Benediktov, disse que o departamento militar estava interessado em retomar a produção do An-124.

As aeronaves projetadas pela Antonov, uma empresa da Ucrânia, são usadas ​​ativamente para abastecer a operação militar russa na Síria. Alguns dos equipamentos militares pesados ​​só podem ser entregues por essas aeronaves.

Até a década passada, o An-124 foi produzido em duas fábricas simultaneamente – em Kiev, na Ucrânia, e em Ulyanovsk, Rússia. O último modelo ucraniano foi construído em 2003 e o russo, em 2004.

Ainda há uma disputa entre a Rússia e a Ucrânia sobre os direitos autorais do An-124 e a propriedade da documentação técnica da aeronave, o que impede a continuação de sua produção. Em 2019, a Antonov cogitou reativar a linha de montagem do cargueiro e iniciou os estudos sobre uma versão reformulada do modelo sem ajuda dos russos, mas o projeto ainda não foi adiante.

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