A Total Linhas Aéreas começou a reduzir sua estrutura depois de passar mais de dois meses impedida de voar pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A cargueira fechou atividades em algumas localidades e já devolveu pelo menos um de seus Boeing 737-400F.
As medidas foram confirmadas por uma representante da companhia ao Diário do Comércio nesta sexta-feira (6). A Total negou, porém, que tenha encerrado definitivamente suas atividades, após o jornal publicar inicialmente que a empresa havia fechado as portas.
A situação é consequência da suspensão integral das operações da Total pela ANAC em 1º de setembro. A medida é cautelar e por prazo indeterminado, o que significa que a empresa ainda pode voltar a voar caso cumpra as exigências estabelecidas pela agência.
Dois meses depois, no entanto, a redução de estrutura mostra o impacto da longa paralisação sobre uma empresa que já tinha uma operação pequena antes de ser obrigada a ficar no chão.
Frota já estava reduzida
A Total tinha cinco Boeing 737-400F associados à sua frota quando foi suspensa pela ANAC: PS-TLA, PS-TLE, PS-TLF, PS-TLG e PS-TLH. Nem todos, porém, estavam sendo utilizados regularmente naquele momento.
Dados de rastreamento consultados pelo Airway mostram que o PS-TLE ainda realizou um voo entre Guarulhos e Recife na manhã de 1º de setembro. O PS-TLG também voou naquele dia, terminando sua operação em Porto Alegre. Já o último voo encontrado para o PS-TLH ocorreu em 22 de agosto, entre Guarulhos e o Galeão.
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Não foi possível estabelecer da mesma maneira a última operação dos PS-TLA e PS-TLF. Nenhum voo comercial dos cargueiros da Total foi identificado depois da suspensão determinada pela ANAC.
O PS-TLG voltou a aparecer nos sistemas de rastreamento apenas em outubro. Em 22 de outubro, o 737 deixou Porto Alegre com destino a Confins. No dia seguinte, seguiu para Port of Spain, em Trinidad e Tobago, e depois para Miami, nos Estados Unidos.
O traslado é compatível com a informação agora confirmada pela Total de que uma aeronave foi devolvida. A companhia não detalhou publicamente qual será o destino dos demais 737 nem se outras devoluções estão previstas.

Paralisação afeta os Correios
A ausência da Total também continua tendo reflexos na operação dos Correios. Em comunicado publicado em 5 de novembro, a estatal informou que a interrupção das operações da companhia aérea afetou o fluxo postal e pode provocar atrasos em diferentes trechos da rede.
Os Correios reconheceram situação de caso fortuito ou força maior para diversos fluxos entre 1º e 14 de novembro, alterando temporariamente metas de nível de serviço. A medida mostra que os efeitos da suspensão da Total permanecem dois meses depois de seus aviões terem parado.
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A cargueira mantinha contratos de transporte aéreo para os Correios, atividade que respondia por parte importante de sua operação. A paralisação obrigou a estatal a reorganizar fluxos que utilizavam os voos da companhia.
Retomada depende da ANAC
A ANAC suspendeu todas as operações vinculadas ao Certificado de Operador Aéreo (COA) da Total após identificar não conformidades classificadas como críticas e de alto nível.
Entre as condições estabelecidas para uma eventual retomada estão a correção de problemas relacionados à aeronavegabilidade continuada, segurança operacional e segurança contra atos de interferência ilícita, além da demonstração da eficácia dos sistemas de gerenciamento exigidos pela agência.
A Total também precisa recompor seu quadro de administração conforme os requisitos do RBAC 119 e passar por novas fiscalizações antes de receber autorização para voltar a operar.
A suspensão não equivale à cassação do COA e, por isso, ainda existe a possibilidade regulatória de retomada. A redução da estrutura iniciada durante a paralisação, porém, significa que uma eventual volta aos voos dependerá também da estrutura operacional e da frota que permanecerem disponíveis à companhia.
Leia também: planos da Total para voltar aos voos de passageiros.



