A Bombardier ainda tem uma participação de 33,58% no programa A220 da Airbus (Airbus)

A Airbus provavelmente deve comprar a participação remanescente da Bombardier no programa A220, disseram duas fontes do setor consultadas pela agência Reuters.

Exceto por alguma surpresa, um acordo deve ser divulgado já na próxima semana, antes das duas fabricantes divulgarem seus relatórios comerciais consolidados sobre 2019, acrescentaram as fontes. As empresas não comentaram o assunto.

“A Airbus particularmente não queria fazer isso neste momento, mas tem poucas opções se a Bombardier estiver recuando”, disse uma das fontes.

A Bombardier cedeu o controle majoritário (50,06%) do programa A220 (então chamado CSeries) à Airbus em 2018 pelo valor simbólico de C$ 1 dólar canadense. A fabricante de Montreal também havia se comprometido a continuar investindo na aeronave por mais cinco anos após a assinatura do acordo.

Sem dinheiro para colaborar em avanços no programa, a Bombardier já avisou que está revisando sua participação no programa e pode vender sua fatia de 33,58% ao grupo aeroespacial europeu. Outro acionista do programa é a província canadense do Quebéc, com 16,36% de participação.

Avião comercial da Airbus que hoje faz um relativo sucesso, o A220 foi a ruína da Bombardier na aviação. A fabricante investiu alto no projeto, mas seguidos atrasos no programa e problemas na aeronave atrasaram seu lançamento. Originalmente prevista para 2013, a entrega da primeira aeronave aconteceu somente em 2016, momento em que já era tarde demais para as finanças da empresa canadense, hoje mergulhada em uma dívida que passa dos US$ 10 bilhões.

Cortando as asas da Bombardier

A situação financeira delicada está forçando a Bombardier a vender todas as suas divisões na aviação. Em 2019, a fabricante canadense vendeu os direitos de produção e fábricas dos turboélices QSeries e dos jatos regionais CRJ, adquiridos respectivamente pelo grupo canadense canadense Longview Aircraft Capital e a Mitsubishi Heavy Industries. Outra baixa importante foi a venda da divisão Short Brothers, na Irlanda do Norte, que pertecencia ao grupo desde 1977.

A empresa de Montreal também está negociando a venda de sua divisão de jatos executivos (Bombardier Business Aircraft), que interessa ao grupo Textron dos EUA.

Caso de fato abra mão de todos os seus negócios na aviação, restará a Bombardier somente o ramo ferroviário, onde tem longa tradição e expectativas de rendimentos para continuar viva no mercado.

Veja mais: Jato executivo Pilatus PC-24 é autorizado a operar em pistas de terra