As estranhas patentes da Airbus

Mini-assentos, cabines com beliches, contêiner de passageiros… Veja o que os engenheiros da maior fabricante de aviões da Europa têm pensado
Os capacetes de "isolamento sensorial" da Airbus prometem aliviar o medo que passageiros tem de voar (EU Patents)
Os capacetes de “isolamento sensorial” da Airbus prometem aliviar o medo que passageiros tem de voar (EU Patents)
Os capacetes de "isolamento sensorial" da Airbus prometem aliviar o medo que passageiros tem de voar (EU Patents)
Os capacetes de “isolamento sensorial” da Airbus prometem aliviar o medo que passageiros tem de voar (EU Patents)

O departamento de engenharia da Airbus anda bastante inspirado. A maior fabricante de aviões da Europa registrou nos últimos dois anos uma série de projetos que podem desde revolucionar a aviação, com novas formas de aviões e aeroportos, a tornar a experiência de voar um verdadeiro pesadelo, com cabines assustadoramente apertadas e desconfortáveis.

Nem todas essas ideias, a maioria impraticável por falta de tecnologia ou bom senso, sairão do papel, o que em alguns casos é um alívio. Mas nunca se sabe…

Por mais malucas que algumas dessas patentes possam parecer, as empresas as registram como “propriedade intelectual”. Dessa forma, a ideia original passa a ter um dono, mesmo que ele não possa executar sua aplicação ou fabricação.

Mas algumas das ideias da Airbus são tão estranhas que dificilmente algum concorrente vai querer imitá-la. Veja abaixo algumas das patentes recentes da fabricante:

1 – Mini-assentos

Os jatos de maior capacidade que circulam da movimentada ponte-aérea Rio-São Paulo podem transportar cerca de 150 passageiros e nos horários mais movimentados faltam assentos.

A solução pode estar em uma patente da Airbus, que pode triplicar o número de poltronas nas cabines. Na verdade a ideia soa mais como bancos de bicicleta.

Uma sonho para as companhias low cost e o pesadelo para qualquer passageiro (EU Patents)
Uma sonho para as companhias low cost e o pesadelo para qualquer passageiro (EU Patents)

A empresa propõe equipar as aeronaves com diversas fileiras com esses assentos, que ocupam menos espaço no interior da aeronave. Os bancos e encostos de braços recolhem para facilitar a passagem para o corredor e o projeto não prevê nenhum tipo de sistema de entretenimento a bordo. Airbus, por favor, não leve essa ideia adiante!

2 – Contêiner de passageiros

O processo de preparação da aeronave para um voo é um dos fatores que podem atrasar a decolagem. É preciso limpar a aeronave, higienizar os toaletes, repor os alimentos e bebidas, carregar as bagagens… Se um desses processos falhar, a operação pode ser comprometida.

A ideia pode acelerar os processos de embarque e desembarque nos aeroportos (USPTO/Airbus)
A ideia pode acelerar os processos de embarque e desembarque nos aeroportos (USPTO/Airbus)

Para acabar com esses percalços, a Airbus pensou em criar contêineres de passageiros que podem ser encaixados nas aeronaves. Desta forma, a cabine seria preparada e os passageiros embarcados em outra área e depois transferidos para a “zona de encaixe”, onde o mesmo avião teria acabado de desembarcar uma cabine.

O método parece ser eficiente, mas depende de uma total revolução no projeto das aeronaves e também dos aeroportos, que precisariam de guindastes com braços articulados para movimentar os contêiner de passageiros e bagagens.

3 – Capacetes de realidade virtual

Para tranquilizar passageiros que têm medo de voar, a Airbus pensou em um tipo de capacete de realidade virtual para criar uma experiência de “isolamento sensorial”, um tipo de hipnose. O equipamento teria telas de alta definição, fones de ouvido especial e até disseminadores de odores, para criar a sensação de total imersão em outro ambiente.

Parece um instrumento de tortura medieval, mas é só um item de conforto (EU Patents)
Parece um instrumento de tortura medieval, mas é só um item de conforto (EU Patents)

Na imprensa estrangeira, o desenho da patente foi comparado a um “instrumento de tortura medieval”. Na ideia da Airbus, o capacete é totalmente integrado ao assento e não uma peça separada. Será que funciona?

4 – Aviação comercial a 5.500 km/h

Um avião que faz o supersônico Concorde parecer uma pipa. Isso é o que propõe a patente da Airbus para uma aeronave comercial capaz de atingir incríveis 5.500 km/h. Nessa velocidade, o tempo de voo entre São Paulo e Miami, nos Estados Unidos, poderia ser reduzido das nove horas atuais, em jatos como o A330, para apenas uma hora.

Um dos motores para idealizar esse projeto ainda não existe... (EU Patents)
Um dos motores para idealizar esse projeto ainda não existe… (EU Patents)

O segredo da supervelocidade desse projeto é uma combinação de três motores: turbofans, foguetes e os futurísticos ramjets, que ainda nem existem. Para evitar os efeitos do sonic boom, que pode quebrar janelas e abalar estruturas no solo, a Airbus imagina voar a mais de 35 mil metros de altitude, onde haveria altura o suficiente para dissipar as ondas.

A execução dessa patente, contudo, ainda depende de muitos anos de trabalhos e avanços na engenharia aeronáutica.

5 – Classe executivas com beliches

Viajar de classe executiva, onde é possível ter o nobre privilégio de se deitar em uma longa viagem de avião, mas faltam assentos e os bilhetes têm preços altíssimos. Um projeto patenteado pela Airbus pode resolver essa questão, ao menos em partes.

Beliches podem aumentar a capacidade na classe executiva sem comprometer seriamente o conforto (EU Patents)
Beliches podem aumentar a capacidade na classe executiva sem comprometer seriamente o conforto (EU Patents)

A Airbus desenhou uma cabine executiva com assentos um em cima do outro. Embora todas as poltronas tenham as funções de movimentação que permitem criar uma cama, quem viaja na parte de baixo desse projeto poderá viver momentos de claustrofobia. O assento inferior é como uma caixa e a altura fica seriamente comprometida.

É uma popularização da classe executiva que pode não dar certo…

Veja mais: Boeing registra ideia para “espremer” passageiros na classe executiva

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Alberto Monteiro
Alberto Monteiro
6 anos atrás

Sobre a avião de 5500 km/h: SP – Miami demoraria pelo menos 2 horas, sem contar a aceleração e a descida, o tráfego etc.

ANTONIO
6 anos atrás

Conforto dos assentos e materiais a aplicar os dois compostos das espumas e o contacto com o passageiro torna nao muito saudavel a transmissao de acaros

antonio patinha
6 anos atrás

QUANDO ERA GURI FAZIA ISOLAMENTOS E ISONORIZANTES DESDE POLTRONAS ATE PAINEIS E FORRAS PARA VEICULOS SE APLICAVA NAPAS E OUTROS MATERIAIS AGORA TEMOS TECIDOS E FIBRAS SERA QUE OS TECIDOS SAO SAUDAVEIS E AS ESPUMAS HIGIENICOS.

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