Boeing diz ter encomenda conjunta de 787 e do novo 777X prestes a ser revelada

Fabricante reconheceu existência de acordo, que envolve também a venda de aeronaves cargueiras produzidas para a companhia russa Volga-Dnepr e não entregues
O 787 e o novo 777X: nova encomenda conjunta deve ser anunciada até o final do mês (Boeing)
O 787 e o novo 777X: nova encomenda conjunta deve ser anunciada até o final do mês (Boeing)

Com sua lista de encomendas sangrando semanalmente diante das crises seguidas que enfrenta, a Boeing tem buscado qualquer pedido novo de aeronaves comerciais que interrompa essa fase. A mais recente tentativa de fechar um negócio ilustra como nenhuma outra esse panorama. Nos últimos dias, soube-se que a fabricante dos EUA deverá anunciar um novo acordo de venda dos jatos widebodies 787 e 777-9 até o final do mês.

Ainda não se sabe qual seria esse cliente nem a quantidade de aeronaves, mas as condições para que esse negócio seja sacramentado são curiosas. A informação surgiu em meio a um processo judicial entre a Boeing e a companhia aérea cargueira russa Volga-Dnepr, que havia encomendado alguns aviões, entre eles quatro 747-8F. Esse pedido, que não consta da lista oficial há algum tempo, teria sido cancelado de comum acordo pelas duas empresas, mas os russos mudaram de ideia e querem receber os jatos.

A surpresa é que a Boeing resolveu vendê-los para outros clientes e por isso não admite entregá-los à Volga-Dpner. Na peça de defesa da Boeing, consta que a fabricante “finalizou a revenda de um 747-8F para o ‘Cliente A'”, sem é claro revelar quem seria esse novo dono do Jumbo cargueiro.

No entanto, foram dois jatos 777F também pedidos pela companhia russa que acabaram revelando o futuro acordo de venda. “Em reconhecimento à parceria do Cliente com a Boeing como cliente 777 e 787 em (suprimido do texto), a Boeing emitirá ao Cliente um memorando de crédito para aeronaves no valor de (suprimido), subordinado ao cliente executar contratos definitivos para comprar (i) aeronaves 777-9 e (ii) aeronaves 787 adicionais até 30 de junho de 2020″, diz o documento enviado à Justiça dos EUA.

A Emirates é uma das poucas companhias aéreas que se encaixam no perfil do misterioso cliente da Boeing (Emirates)

Em outras palavras, o que a Boeing afirma é que está oferecendo os dois 777 cargueiros como uma espécie de bônus para que uma companhia aérea não revelada adquira mais unidades do 777-9 (maior versão do 777X) e 787. Ou seja, a misteriosa empresa poderia ser a Emirates, British Airways, All Nippon Airways ou a Qatar, que são clientes de ambos. Ou ainda uma empresa de leasing já que existem dez 777X de um cliente não identificado na lista de pedidos da aeronave.

Poucos pedidos

Com mais de 500 737 Max cancelados nos últimos meses, a Boeing precisa urgentemente de novas encomendas para justificar os investimentos e a infraestrutura que mantém para produzir tantos aviões. O caso do 787 e sobretudo do 777X é ainda mais complexo já que a demanda por esses jatos anda em queda. A fabricante já anunciou a redução brutal no ritmo de produção do Dreamliner nos próximos anos enquanto o “triple seven” será montado numa taxa ainda menor e que inclui a variante clássica.

O programa 777X tem sido um enorme desafio para a Boeing, primeiro pelo atraso no cronograma e segundo pelo fantasma do desinteresse pelos aviões de grande porte. Embora seja muito eficiente, o maior jato de passageiros bimotor do mundo tem uma capacidade muito grande e que parece não condizer com a atual realidade. Há fortes rumores de que seus clientes podem postergar entregas ou mesmo cancelar pedidos caso o tráfego aéreo mundial não retome logo os níveis pré-pandemia.

Ou seja, um bom acordo de vendas pesa muito para a Boeing, mesmo que isso signifique dar de brinde dois 777F e comprar uma briga com os russos.

A empresa russa Volga-Dnper seria a pivô da potencial encomenda (RAF-YYC)

Veja também: Segundo Boeing 777X voa pela primeira vez

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