Aterramento do 737 Max continua afetando os negócios da Boeing (Jeff Hitchcock)

A Boeing atingiu um triste marco em janeiro ao terminar o mês sem nenhuma encomenda de seus jatos. Desde 1962, a fabricante americana não passava em branco em um único mês, época em que sua linha de aviões comerciais só contava com o 707 em produção – o trirreator 727 ainda não havia voado pela primeira vez.

O cenário desolador contrasta com os 274 pedidos que a Airbus confirmou no mês passado. Em relação às entregas, a situação foi menos dramática: enquanto a rival europeia enviou 31 aviões a seus clientes a Boeing entregou 13 jatos, seis deles 787, dois 777, dois 767 e três 737NG.

O principal motivo pelo resultado impensável até tempos atrás é, claro, o 737 Max, que desde março do ano passado está aterrado após dois acidentes fatais provocados pelo sistema MCAS, criado para ajudar os pilotos em situações de alto ângulo de ataque, mas que tinha problemas em seu software.

Com mais de 400 unidades produzidas e não entregues, a Boeing acabou suspendendo a produção do 737 Max em janeiro, à espera da aprovação de autoridades de aviação civil para que o jato volte a voar. No entanto, esse processo tem sido lento, jogando a possível data de retorno para o segundo semestre.

A imensa fila de entregas que tem se formado pode ter afastado novos clientes do jato da Boeing, à medida que o processo de retomada de produção e mesmo de treinamento dos pilotos vá atrasar as entregas por vários meses.

Encomendas encolheram em 2019

O mês com zero encomendas pode até repetir o resultado negativo de 2019 quando a Boeing viu seu backlog encolher por conta de cancelamentos. A empresa ainda não atualizou as informações sobre encomendas líquidas, que revelam possíveis reduções nos pedidos já realizados.

As notícias para a Boeing só não continuam piores porque o chefe do FAA, a agência de aviação civil dos EUA, Steve Dickson, afirmou que poderá haver um voo de certificação do 737 Max nas próximas semanas e que ele ficou satisfeito em constatar o progresso da fabricante em resolver os prolemas do avião.

A Boeing não fica sem encomendas em um mês desde 1962 quando só tinha um jato comercial em produção, o 707 (Boeing)

Veja também: Boeing confirma que reduzirá produççao do 787 em quase um terço