A nova geração do Boeing 737 apresenta bons números de eficiência (Boeing)

O 737 Max pode enfrentar uma forte rejeição em seu retorno aos voos comerciais (Boeing)

Mudar ou não mudar o nome 737 Max? Na visão de Steven Udvar-Hazy, importante executivo da aviação e o fundador e presidente da Air Lease Corporation, a Boeing deve abandonar a marca Max.

“Pedimos à Boeing que se livrasse da palavra Max”, disse o executivo em uma conferência nessa segunda-feira (20) em Dublin, na Irlanda, citado pela agência Bloomberg. “Acho que a palavra Max deve aparecer nos livros de história como um nome ruim para uma aeronave.”

“A marca Max ficou manchada após os dois acidentes fatais no ano passado e não há motivos para a Boeing mantê-la”, afirmou Udvar-Hazy.

Renomear o Max ajudaria a enfrentar a relutância do público em voar na aeronave, especialmente em mercados mais supersticiosos, de acordo o presidente da Air Lease, um dos maiores clientes do 737 Max com cerca de 200 pedidos.

O executivo disse ainda que as companhias aéreas clientes do 737 Max estão trabalhando para entender que tipo de rejeição a aeronave pode enfrentar e por quanto tempo após o seu retorno ao serviço.

“Será por dois meses, seis meses, será diferente em variadas partes do mundo?”, pontuou Udvar-Hazy. “As pessoas nos EUA, depois de alguns meses, esquecerão os acidentes e dirão: ‘Oh, é apenas mais 737?’. Haverá partes do mundo onde as pessoas talvez sejam mais supersticiosas e levarão mais tempo para apagar esse estigma?”

Um dos sete Boeing 737 Max recebidos pela Gol e que estão parados desde março: companhia mantém esperança de concluir 2020 com 23 unidades do modelo (Gol)

A própria Boeing já fez uma campanha preliminar com os clientes do 737 Max para preparar o retorno do jato. O programa é uma espécie de “manual de instruções” para as companhias aéreas com ações para confortar passageiros temerosos em voar na aeronave. A fabricante, no entanto, ainda não comentou sobre mudar o nome do avião.

Letras por números…

O presidente da Air Lease não é o primeiro a falar sobre mudar o nome do 737 Max. Outra pessoa que deu o mesmo pitaco foi o presidente dos EUA Donald Trump.

“O que eu sei sobre branding, talvez nada (mas me tornei presidente!), Mas se eu fosse a Boeing, CORRIGIRIA o Boeing 737 Max, acrescentaria alguns recursos adicionais excelentes e REBATIZARIA o avião”, escreveu o presidente no Twitter em abril do ano passado, usando letras maiúsculas para enfatizar as partes que ele considerava mais importantes. “Nenhum produto sofreu como este. Mas, novamente, o que diabos eu sei?”

Outro presidente, da Qatar Airways, Akbar Al Baker, também fez a mesma sugestão em junho de 2019. “Eu acho que a Boeing terá que renomear está aeronave”, declarou. “A única dificuldade que temos é como convencer as pessoas a voar no Max, por causa do dano à reputação. Temos total confiança na Boeing de que as questões serão resolvidas e os reguladores vão aprovar o avião.”

Algumas companhias também já estão cuidando desse assunto. No ano passado, um jato da Ryanair foi fotografado na planta da Boeing em Renton com o nome “737-8200”. A sigla é uma referência ao modelo exclusivo da companhia, o 737 Max 200 (um 737 Max 8 para 200 passageiros).

Um 737 Max da Gol também foi flagrado em abril passado com uma designação diferente: “737-8” em vez de 737 MAX 8. Em contato com o Airway na época, a empresa confirmou a mudança no nome da aeronave.

Quando 737 Max volta ao mercado?

Fora de serviço no mundo todo desde março de 2019, o 737 Max ainda não tem um prazo definido de retomar os voos comerciais. Previsões mais otimistas apontam a volta da aeronave para meados de junho ou julho, mas não há uma confirmação. A Boeing parou de divulgar previsões sobre o retorno do Max atendendo um pedido da agência de aviação civil dos EUA (FAA), que afirmou no final de 2019 que sentia pressionada em acelerar o novo processo de certificação do avião.

As investigações sobre os dois acidentes com o 737 Max trouxeram à tona uma série de irregularidades cometidas pela Boeing no projeto do avião e no processo de certificação do FAA. As evidências dão a entender que as duas partes tinham conhecimento dos riscos e aceleraram o lançamento da aeronave – o primeiro 737 Max foi entregue em maio de 2017.

Um 737 Max da Gol em meio a diversas unidades produzida pela Boeing e proibidas de voar (Reprodução/Youtube)

Em outubro de 2018, um 737 Max 8 da Lion Air caiu no mar da Java momentos após decolar de Jacarta, na Indonésia. O acidente deixou 189 mortos. Cinco meses depois, em 10 de março de 2019, outro jato do mesmo tipo, operado pela Ethiopian Airlines, caiu na região de Addis Abeba, na Etiópia, matando todos os 157 ocupantes a bordo. Nesse mesmo dia, agências de aviação internacionais e companhias aéreas iniciaram a paralisação da aeronave.

As investigações apontaram o mau funcionamento do software de voo MCAS do 737 Max como o principal culpado das tragédias. O programa foi projetado para compensar a mudança no centro de gravidade da aeronave, que tem motores maiores e por isso tende a apontar o nariz para o alto. Para controlar essa situação, o equipamento corrige a trajetória do jato com controles automáticos, forçando o avião para baixo. Nos jatos da Lion Air e Ethiopian Airlines, o sistema atuou de forma incontrolável e os pilotos não eram treinados para lidar com a falha.

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