O EMB-120 Brasília foi produzido entre 1983 e 2001; ao todo foram fabricadas 354 unidades (Embraer)

O EMB-120 Brasília foi o último turboélice comercial da Embraer; produção foi encerrada em 2003 (Embraer)

O presidente-executivo e CEO da Embraer Aviação Comercial, John Slattery, disse nesta semana que a fabricante pode lançar um novo avião turboélice comercial se o acordo de joint venture com a Boeing for adiante. Mas o que a companhia norte-americana acha isso?

“A Boeing está familiarizada com o atual estuda da Embraer para o desenvolvimento de um novo turboélice”, disse um porta-voz da Boeing ao Aviation Daily. “Estamos ansiosos para analisar o caso de negócios e estamos animados com a possibilidade desse novo avião ser desenvolvido e produzido pela joint venture que estamos planejando.”

O CEO da divisão comercial da Embraer disse na conferência Air Finance Journal Dublin 2020 que a empresa tem como objetivo lançar o novo turboélice no final de 2025 ou no início de 2026. O executivo ainda afirmou que espera por “centenas” de pedidos pela nova aeronave.

Slattery reiterou que o cronograma de entrada em serviço do turboélice para 2025/2026 é crucial por duas razões: primeiro, nessa época várias empresas aéreas estarão prestes a tomar uma decisão para substituir seus turboélices mais antigos. Em segundo, a Embraer acredita que aeronaves híbridas-elétricas podem ser viáveis em rotas regionais por volta de 2035, dando ao fabricante apenas 10 anos para recuperar o investimento antes da chegada de um novo concorrente.

O executivo também acredita que a ATR deve reagir lançando uma nova aeronave, caso a Embraer avance no lançamento de um novo turboélice em parceria com a Boeing. Parte do grupo Airbus, a fabricante franco-italiana ATR detém atualmente mais de 80% de participação no segmento de aviões turboélices comerciais com os modelos ATR 42 e ATR 72.

Os aviões da ATR dominam mais de 80% do segmento dos turboélices comerciais (ATR)

De acordo com Slattery, a Embraer está analisando projetar uma família de turboélices com duas opções na extremidade superior (algo entre 70 e 90 assentos) do mercado e que mais adiante pode ser complementada por uma terceira variante menor, possivelmente com sistema de motorização híbrida. A aeronave “terá a aparência de um (Embraer) E2.”

O projeto de um novo turboélice, como Slattery disse repetidas vezes, só é possível se houver o acordo com a Boeing. “Sem joint venture, sem turboélice”, disse o executivo nesta semana à agência Reuters, acrescentando que a Embraer não tem recursos para desenvolver sozinha um avião comercial de última geração.

O acordo entre as fabricantes, no qual a Boeing vai adquirir 80% da Embraer Aviação Comercial, ainda aguarda pelo sinal verde de órgãos reguladores de concorrência. A expectativa das empresas é de a joint venture seja aprovada até o final de abril.

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