A força aérea da Índia é o terceiro cliente estrangeiro do Dassault Rafale (Tim Felce)

A força aérea da Índia (IAF) anunciou nesta quinta-feira, 10 de setembro, a introdução formal em serviço dos cinco primeiros caças Dassault Rafale adquiridos pelo país, que encomendou um total de 36 aeronaves do tipo no final de 2016 por 7,9 bilhões de euros (cerca de R$ 49,7 bilhões).

Os primeiros Rafale recebidos pela IAF, três modelos monopostos e dois bipostos fabricados na França, chegaram ao país no último dia 29 de julho. As aeronaves foram integradas ao Esquadrão N° 17 “Golden Arrow” da força aérea indiana, baseado em Ambala, no norte da Índia, próximo a fronteira com o Paquistão.

Quatro caças adicionais devem chegar a Ambala em outubro e outras nove aeronaves necessárias para completar o esquadrão (de 18 caças) têm entrega prevista para meados de 2021, de acordo com a IAF.

O segundo esquadrão indiano de caças Rafale, que ficará baseado em Hasimara, perto da fronteira com a China, também será composto por 18 aeronaves, cujas entregas serão concluídas até o final de 2022.

“A introdução do Rafale chegou em um momento oportuno, quando uma situação tensa foi criada em nossas fronteiras”, disse Rajnath Singh, ministro da defesa indiano, referindo-se a escalada militar do país contra a China na região fronteiriça Himalaia.

Além da introdução dos Rafale, o governo indiano anunciou recentemente a compra de 33 caças russos, sendo 21 modelos MiG-29 e outros 12 Sukhoi Su-30, que serão montados no país pela Hindustan Aeronautics (HAL).

A Índia possui uma das frotas de caças mais diversificadas do mundo, com quase 600 aeronaves em serviço. Da Rússia, o país opera os caças Su-30, MiG-29 e MiG-21, enquanto a França forneceu os modelos Mirage 2000, SAPECAT Jaguar e agora o Rafale. O HAL Tejas, produzido no país, ainda está em fase de implementação na força aérea e futuramente também terá uma versão para operações em porta-aviões.

A frota de caças da Índia é um caso raro no mundo, combinando aeronaves russas e francesas

Brasil quase comprou o Rafale

A  Índia é o terceiro cliente internacional do Rafale, que foi introduzido na força aérea da França em 2001 após mais de 15 anos de seu voo inaugural. O primeiro operador estrangeiro do caça foi o Egito que recebeu as primeiras aeronaves em 2015. No começo de 2019, o Qatar tornou-se o segundo operador externo do jato da Dassault.

O Brasil quase adotou o Rafale como sucessor dos Mirage 2000. Em 2009, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva chegou a indicar que o jato de combate da Dassault era o vencedor da concorrência FX-2, mas logo voltou atrás. No ano seguinte, a Folha de São Paulo apontou que o Rafale teria sido novamente escolhido pelo governo, mesmo sendo a opção mais cara. Um relatório interno da Força Aérea Brasileira na época, no entanto, já sugeria o caça sueco Saab Gripen como o preferido dos militares e que acabou escolhido tempos depois.

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