O Ministério da Defesa da Rússia divulgou recentemente um vídeo mostrando o novo caça Sukhoi Su-57 numa situação no mínimo incomum. Nas imagens, um piloto aparece no controle do jato militar sem o habitual canopi, a “capota” da aeronave, totalmente exposto ao ambiente externo.

Segundo a Scramble Magazine, o voo do caça sem a cobertura na cabine é um “teste de habitabilidade do cockpit” e serve para avaliar o procedimento de ejeção de emergência do piloto, que no vídeo parece estar vestindo um traje pesado para se proteger do vento e o frio.

O teste inusitado foi conduzido pelo Chkalov State Flight Test Center, que recentemente completou 100 anos de atividades. O centro é responsável por testar aeronaves russas novas ou atualizadas, bem como novos sistemas de armas e equipamentos de aviões militares.

O ensaio realizado com o Su-57 sem o canopi é relativamente comum durante o desenvolvimento de aeronaves de combate. Outros exemplos de caças que foram submetidos a esse teste no passado são o Panavia Tornado e o lendário Grumman F-14 Tomcat.

Panavia Tornado voando sem o canopi

Caça Panavia Tornado da força aérea britânica voando sem o canopi; imagem foi registrada em 1988 (RAF)

Há também casos em que pilotos de caça experimentaram essa situação por acidente. Em janeiro de 2019, dois pilotos da força aérea de Israel enfrentaram um voo desagradável quando a cobertura do cockpit de seu F-15 Eagle se desprendeu repentinamente. Os aviadores, voando a 30.000 pés (9.144 metros) de altitude, foram instantaneamente expostos a temperatura de -45° Celsius, ventos com a força de um furacão e o ruído ensurdecedor dos motores.

Em outro incidente ocorrido no ano passado, um civil que voava em um caça Rafale da força aérea francesa acidentalmente acionou a alavanca de ejeção durante a decolagem, fazendo-o voar para do avião e cair de paraquedas. O piloto conseguiu pousar o jato em segurança, mesmo sem o canopi.

Grumman F-14 Tomcat voando sem o canopi

F-14 Tomcat realizando um “teste de habitabilidade do cockpit” (US Navy)

Uma situação semelhante também aconteceu em março deste ano com um Super Tucano da Força Aérea Brasileira, quando um tripulante supostamente acionou por engano o assento ejetor e foi lançado para fora da aeronave e caiu de paraquedas no mar, em Natal (RN). Na ocasião, o piloto manteve o controle do avião e conseguiu pousar em segurança na base aérea de Parnamirim.

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