Corrida pelos táxis voadores tem Embraer em posição privilegiada

Graças à subsidiária Eve, que anunciou pedidos de 250 aeronaves, fabricante brasileira é uma das empresas mais adiantadas no projeto de um eVTOL
eVTOL da Embraer
eVTOL da Embraer (Embraer)

Com sua carteira de pedidos de jatos comerciais abalada nos últimos anos, a Embraer parece ter encontrado um novo nicho no mercado para explorar, os eVTOL. Criado em 2017, o programa de desenvolvimento de um ‘táxi voador’ da empresa brasileira tem feito suas ações na bolsa de valores se valorizarem nos últimos dias.

Os motivos para isso foram dois anúncios de encomendas do veículo elétrico desenvolvido pela Eve, sua subsidiária criada a partir da EmbraerX, divisão responsável pelos chamados UAM (Urban Air Mobility).

O primeiro acordo envolve a parceria com a Halo, uma empresa de táxi aéreo de helicópteros que atua nos EUA e Reino Unido e que fechou um pedido para 200 unidades do eVTOL da Eve.

No começo da semana foi a vez da brasileira Helisul anunciar uma encomenda de até 50 aeronaves de pouso e decolagem vertical.

As boas notícias não pararam aí. Na quinta-feira, 10, a Embraer revelou estar em negociações com Zanite Acquisition Corp, dos EUA, que pode realizar um aporte financeiro significativo no projeto da Eve.

A Halo anunciou um pedido de 200 eVTOL da Embraer

A revelação fez as ações da fabricante na bolsa de valores brasileira saltarem de R$ 17,27 na quarta-feira para R$ 21,02 no fechamento nesta sexta-feira. Na Bolsa de Nova York, houve uma valorização de quase 20% nos últimos cinco dias.

O otimismo com o futuro do projeto do eVTOL também tem sido visto em outras iniciativas como da norte-americana XTI e da britânica Virgin Atlantic, que anunciou nesta semana planos para oferecer um serviço aéreo entre os aeroportos de Heathrow, Gatwick, ambos em Londres, e Manchester.

Mas a Embraer pode estar numa posição privilegiada nesse novo mercado, por conta da grande experiência com a certificação de aeronaves complexas como seus jatos comerciais e modelos militares como o airlifter C-390 Millennium.

Até o momento, os projetos mais adiantados de eVTOL estão sendo tocados por startups com pouca experiência enquanto as gigantes Airbus e Boeing ainda se mantêm reticentes em relação a esse mercado.

O protótipo PAV da Boeing (Boeing)

Acordo de US$ 2 bilhões

A Airbus desenvolve dois projetos na área, o CityAirbus e o Vahana, porém, a fabricante europeia revelou em março que não vê a tecnologia pronta até o final da década. “Dois ou três anos atrás eu disse 2025. Digo agora a segunda metade da década”, afirmou Guillaume Faury, CEO da empresa, ao estimar a entrada em serviço dessas aeronaves.

A Boeing, por sua vez, suspendeu os trabalhos na NeXt em setembro de 2020 por falta de dinheiro. A empresa desenvolveu dois modelos, o PAV (Passenger Air Vehicle) e o CAV (Cargo Air Vehicle), mas ambos se acidentaram em 2019.

A lentidão das duas gigantes aeroespaciais contrasta com o imenso pedido feito nesta semana pela Avolon, companhia de leasing irlandesa que é um grande cliente dos jatos da Airbus e Boeing.

VA-X4: Avolon fez pedido de até 500 aeronaves elétricas por um valor de US$ 2 bilhões (VA)

A Avolon anunciou na sexta-feira, 11, um acordo para até 500 unidades do eVTOL VA-X4 da Vertical Aerospace, num negócio de US$ 2 bilhões. Os primeiros veículos aéreos elétricos começarão a ser entregues no final de 2024.

Quanto à Embraer, seu eVTOL ainda sem nome conhecido pode chegar ao mercado um pouco depois, em 2025 ou 2026. Mas certamente terá uma carteira de pedidos bastante grande até lá.

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