Um dos sete Boeing 737 Max recebidos pela Gol e que estão parados desde março: companhia mantém esperança de concluir 2020 com 23 unidades do modelo (Gol)

A Gol continua esperançosa de contar com a volta ao serviço do 737 Max 8, mas admite que pode ficar sem o jato da Boeing até julho, explicou Celso Ferrer, vice-presidente de operações da companhia aérea durante conferência nesta quinta-feira (09). O executivo reconheceu que durante a baixa temporada a nova aeronave não é essencial, porém, a empresa faz planos de voltar a voar com ele até abril.

Segundo Ferrer, a Gol ainda não tem uma estratégia traçada caso o aterramento do 737 Max perdurar por mais tempo e afetar a alta temporada. Mas que o caminho natural será arrendar mais jatos da série anterior, NG. Atualmente, a companhia aérea opera 106 unidades do 737-800, base da frota, além de outros 24 737-700, com menor capacidade de passageiros.

Sobre o Max, caso a Boeing consiga retomar as entregas, a Gol planeja receber 16 aeronaves em 2020, passando a contar com 23 unidades do modelo, capaz de transportar 186 passageiros. Até 2024 serão 51 aviões que deverão retirar de operação parte dos Boeing mais antigos. Já em razão da necessidade de treinamento extra das tripulações no 737 Max, a empresa está negociando a instalação de um simulador de voo no Brasil. O equipamento será fundamental agora que a fabricante admitiu que a transição para a nova série exigirá que os pilotos acumulem horas nesses simuladores.

Salada mista

A crise do 737 Max ocorreu em um momento em que a Gol havia decidido retomar seus voos para os Estados Unidos. Com maior alcance, o jato permitiu que a empresa ligasse Brasília e Fortaleza a Orlando e Miami com voos diretos. Antes disso, o 737-800 chegou a operar em rotas semelhantes, porém, com uma incômoda escala no Caribe – e que foi retomada desde que o 737 Max foi aterrado em março.

Para dar conta da demanda e compensar o aterramento do Max, a Gol arrendou 737-800 de empresas como a Transavia e Jet Airways (Aero Icarus)

A versão avançada do Boeing também permitiria que a companhia criasse novas rotas sem escalas na América do Sul e, sobretudo, reduzisse o consumo de combustível, o grande chamariz do projeto. O otimismo da companhia aérea da família Constantino era tão grande que até a maior versão do 737, o Max 10, com capacidade para 230 passageiros, foi encomendada.

Assim como outras companhias aéreas clientes da Boeing, a Gol também vê seus aviões prontos estacionados em aeroportos nos Estados Unidos esperando pela decisão da FAA, a agência de aviação civil do país, aprovar seu retorno ao serviço. Mas, pelos acontecimentos recentes, esse dia parece estar longe. Enquanto isso, a empresa brasileira foi obrigada a arrendar jatos provisoriamente, o que transformou sua frota em uma mistura de aeronaves com padrões diferentes de pintura e condições de conservação.

Apesar disso, Paulo Sergio Kakinoff, CEO da companhia, reafirmou a filosofia de frota padronizada nesta quinta-feira. O executivo disse que não vê motivos para mudar essa estratégia, mesmo que ela afete algumas rotas. Para contornar essa dificuldade, a empresa tem feito parcerias com regionais como a VoePass e TwoFlex, passando a vender passagens para destinos operados por elas com aviões turbo-hélices como o ATR e Caravan, bem menores que o 737. Segundo Kakinoff, “sempre que um mercado tiver demanda suficiente para receber um Boeing 737 vamos para lá”, disse.

O presidente da Gol prevê que terá um aumento de oferta de até 8% em 2020 mesmo com tantas indefinições e que deverá anunciar nas próximas semanas um novo code-share nos Estados Unidos. Após ser deixada pela Delta Air Lines, que decidiu adquirir 20% da rival Latam, a Gol está conversando com American Airlines e United Airlines, embora a primeira tenha tudo para ser a favorita.

Dois novos 737 Max da Gol em meio à diversas unidades produzidas pela Boeing e proibidas de voar (Reprodução/Youtube)

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