O 737-800 “UR-PSR” tinha apenas três anos de utilização (Anna Zvereva)

O jato Boeing 737-800 que caiu no Irã na quarta-feira (8), matando todos os 176 ocupantes a bordo, provavelmente foi derrubado por um míssil iraniano, afirmou ontem o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, citando informações de fontes canadenses e de países aliados.

“Temos inteligência de várias fontes, incluindo nossos aliados e nossa própria inteligência. As evidências indicam que o avião foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional”, disse Trudeau em entrevista coletiva em Ottawa.

O voo da Ukraine International Airlines caiu momentos após decolar do aeroporto internacional Tehran-Imam Khomeini, o principal terminal aéreo da capital Teerã. A aeronave seguia para Kiev, na Ucrânia. A tragédia aconteceu horas após o Irã ter lançado um ataque de mísseis contra alvos dos EUA no Iraque.

Dos 176 passageiros a bordo do voo AUI 752, 63 eram canadenses. Além disso, 138 ocupantes da aeronave tinham como destino final o Canadá.

Autoridades do Irã negaram ter derrubado a aeronave por engano e não comentaram as falas de Trudeau, que foram ratificadas por Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido. “Existe agora um conjunto de informações de que o voo foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode ter sido não intencional”, declarou.

O Boeing da Ukraine também transportava três cidadãos britânicos, além de 82 iranianos, 10 suecos, quatro afegão, três alemães e 11 ucranianos, incluindo os nove tripulantes. A aeronave (matrícula UR-PSR) era considerada nova, com apenas três anos de uso.

Em entrevista coletiva na Casa Branca, Donald Trump disse apenas que a principal suspeita é de que a queda do avião foi resultado de “um erro do outro lado (no Irã)”.

Autoridades norte-americanas consultadas pela Newsweek afirmaram que tinham um alto nível de confiança nas informações obtidas sobre a queda do avião. As agências de inteligência dos EUA apontaram que um sistema de defesa aérea iraniano de fabricação russa disparou dois mísseis contra o jato comercial, disse uma autoridade não identificada pela publicação.

Volodymyr Zelenskiy, presidente da Ucrânia, não descartou a hipótese, mas pediu aos EUA, Canadá e Reino Unido que apresentassem evidências comprovando que a aeronave foi alvo de um míssil iraniano.

Derrubado por engano?

Um vídeo obtido e verificado pelo The New York Times captou o provável momento em que o 737 ucraniano foi atingido por um míssil enquanto voava acima de Parand, cidade próxima ao aeroporto de Teerã. Outros vídeos que circulam pelas redes sociais, embora ainda não confirmados, mostram a aeronave em chamas no ar e em seguida uma forte explosão no solo.

Em alerta por conta do ataque contra os EUA realizado horas antes do acidente aéreo em Teerã, militares do Irã podem ter confundido a aeronave civil como ameaça e acionaram a defesa aérea. O abate acidental pode ter sido realizado por um sistema Tor, fabricado na Rússia. O equipamento é um veículo lançador de mísseis superfície-ar de curto alcance (entre 6 km e 12 km).

Sistema de defesa aérea Tor M1, semelhante ao que pode ter sido usado pelo Irã (Vitaly V. Kuzmin)

Autoridades do Irã já declararam que não vão entregar as caixas-pretas dos aviões à Boeing. No entanto, já acenam que podem permitir a participação de investigadores de outros países.

O acidente com o 737-800 da Ukraine ocorreu em meio a escalada de tensão entre Irã e os EUA após o assassinato do general Qasem Soleimani no Iraque com um drone norte-americano. O ataque ordenado por Donald Trump vem gerando retaliações dos iranianos contra posições americanas pelo Oriente Médio.

Acidente no Irã é o mais grave com um Boeing 737 da série NG