Avaliação do editor

A Hi Fly opera uma frota de 25 aeronaves, entre eles um Airbus A380 (Ibex73)

A portuguesa Hi Fly se tornou a primeira companhia aérea do mundo a operar voos comerciais com serviço de bordo 100% livre de plástico. O material deixou de circular nas aeronaves da empresa no dia 1 de janeiro.

“Mais de 100.000 vos decolam todos os dias em todo o mundo e, no ano passado, aeronaves comerciais transportaram quase quatro bilhões de passageiros. Esse número deve dobrar novamente em menos de 20 anos. Portanto, o potencial de fazer a diferença aqui é claro”, disse Paulo Mirpuri, presidente da Hi Fly. “Esse é um movimento 100% necessário para o futuro do nosso planeta.”

Os itens de plásticos no serviço de bordo da Hi Fly foram substituídos por alterativas sustentáveis. Na classe econômica, os talheres são de bambu e os copos de material reciclado, assim como os recipientes de comida e sachês de sal e pimenta. Na primeira classe, os talheres são de metal e os copos de vidro, que posteriormente são higienizados e reutilizados.

A proposta iniciada pela companhia portuguesa é um pequeno passo, mas mostra um caminho que as companhias aéreas e empresas de outros setores devem seguir nos próximos anos para diminuir o consumo de plástico.

Talheres de metal e copo de vidro. Depois é só lavar e usar de novo (Hi Fly)

Pelo modo como opera e seu porte, a Hi Fly é a empresa ideal para implementar esse tipo de mudança. Os voos da empresa não são regulares, a frota é relativamente pequena e o material logístico pode ser transportado pela próprias aeronaves quando alugadas por clientes. Companhias gigantes, como a American Airlines ou a Delta Airlines, que operam mais de 800 aeronaves cada uma, certamente teriam custos altíssimos para eliminar o plástico em seus voos.

“Levamos nosso compromisso muito a sério. Nossa missão corporativa é baseada em sustentabilidade e trabalhamos em conjunto com a Fundação Mirpuri para garantir que nossas práticas corporativas correspondam às nossas responsabilidades mais amplas com o planeta”, disse o presidente da Hi Fly.

Exótico: a classe econômica da Hi Fly tem talheres de bambu e copos feitos de material reciclado (Hi Fly)

A Hi Fly é uma empresa especializada em “wet lease”, uma espécie de aluguel temporário de aeronaves para outras companhias aéreas em situações de ampliação de voos sazonais ou necessidades de reposição de frota. O pacote oferecido pelo grupo português também inclui tripulantes certificados, manutenção do avião e seguros.

A estrela da companhia é um Airbus A380, o primeiro do tipo que ganhou sobrevida no mercado. A aeronave foi operado pela Singapore Airlines até 2018 e ainda mantém a cabine original para 471 passageiros. Alugados por diferentes empresas, a empresa portuguesa promoveu a estreia da rara aeronave em diferentes pontos pelo mundo, entre eles Argentina e Venezuela. Outros aviões na frota da empresa são cinco jatos da família Airbus A320, sete A340 e 12 A330.

Itens de amenidades na primeira classe em embalagens que podem ser recicladas (Hi Fly)

Voo verde na Austrália

A companhia aérea Qantas Airways, da Austrália, é outro nome do setor preocupado com os resíduos gerados nos voos. Em maio de 2019, a empresa passou a voar entre Sydney e Adelaide com um serviço de bordo especial que gera menos resíduos.

Todos os itens descartáveis de plástico a bordo do voo foram substituídos por alternativas sustentáveis. Alguns dos recipientes para refeições utilizados no trecho são fabricados de cana-de-açúcar e os talhares são produzidos com amido, materiais biodegradáveis. Após cada voo, o material é recolhido e enviado para centros de compostagem.

O novo sistema de internet da Qantas vai estrear no jato Boeing 737 (Qantas)

Os voos da Qantas entre Sydney e Adelaide operados em jatos 737-800 tem serviço de bordo “ecológico” (Qantas)

“No processo de transportar mais de 50 milhões de pessoas todos os anos, a Qantas e a Jetstar (companhia low cost do grupo Qantas) produzem uma quantidade de resíduos equivalente a 80 jatos Boeing 747 totalmente carregados”, disse Andrew David, CEO da Qantas, na ocasião do lançamento do “voo verde” no ano passado.

A iniciativa da Qantas foi denominada “The Bowerbird Porjetc”, uma referência ao pássaro australiano que reutiliza pequenos pedaços de plástico para construir seu ninho.

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