Mais de 60% dos aviões comerciais estão armazenados por conta do coronavírus

Mas ritmo diário de retirada dessas aeronaves começou a se estabilizar nesta semana
Consegue contar quantos aviões nessa foto? Jatos da American Airlines estacionados na pista do aeroporto de Pittsburgh, nos EUA (Pittsburgh International Airport)

A corrida para armazenar jatos de passageiros ociosos durante a pandemia do Covid-19 começou a entrar em um período de relativa estabilidade nesta semana. Segundo dados e análises da consultoria Cirium, cerca de 100 aeronaves foram armazenadas por dia desde a última quinta-feira, 9 de abril. Na semana anterior, o ritmo diário de aviões comerciais aterrados era até cinco vezes maior.

No relatório publicado nesta terça-feira, 14 de abril, a Cirium classifica como ativos pouco mais de 10.000 aviões de passageiros, o que representa aproximadamente 38% do estoque global de aeronaves comerciais. A lista da consultoria inclui jatos de fuselagem larga (widebody) e estreita (narrowbody) e modelos regionais.

Restrições de viagens internacionais em vigor no mundo todo causaram um impacto significativo nas operações dos widebodies mais populares. Cerca de 63% da frota combinada dos modelos Boeing 777 e 787 está armazenada, assim como 75% dos jatos Airbus A330 e A350, de acordo com os critérios da Cirium.

Aeronaves de passageiros mais antigas e fora de produção também foram duramente atingidas pela crise do novo coronavírus. A quantidade de jatos da série Boeing 737 Classic (modelos -300/400/500) em serviço caiu para cerca de 160 aparelhos. Já as frotas de 747, 757 e 767 é de 20, 80 e 110 unidades em serviço, respectivamente, além de outros 80 modelos MD-80.

Entre os aviões de passageiros mais antigos da Airbus, a Cirium registrou menos de 10 de jatos A300 e A310, e 30 modelos A340 em operação.

Aviação em estado grave

O mercado de aviação comercial é um dos setores mais afetados pela pandemia do Covid-19. Com restrições de viagens impostas no mundo todo e medidas de isolamento social, a demanda por transporte aéreo de passageiros praticamente desapareceu. Agora não é hora de sair de casa, quem dirá de viajar.

Com mais de 60% da frota mundial de aeronaves de passageiros paradas, as companhias aéreas devem experimentar pelo menos mais dois meses de severas restrições de voo.

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o mercado deve iniciar uma lenta recuperação entre junho e julho, se a pandemia for controlada. As perdas no setor, porém, serão extensas e analistas estimam que a situação deve ser normalizada somente em 2021 ou 2022.

A China apresentou nesta semana os primeiros sinais de recuperação no setor aéreo. Diversas cidades chinesas estão aliviando as medidas de isolamento e aeroportos foram reabertos para voos domésticos, entre eles o terminal aéreo de Wuhan, ponto de origem do novo coronavírus.

Nesta semana, o movimento de jatos comerciais (Airbus e Boeing) na China aumentou cerca de 1% nesta semana, segundo a Cirium. Até o momento, a consultoria registra uma queda de 57% no volume de voos comerciais no mercado chinês, comparado ao mesmo período no ano passado.

A situação vista na China ainda não está acontecendo em outras grandes economias. Entre os cinco países com mais voos rastreados pela Cirium (China, Alemanha, Rússia, Reino Unido e EUA), os EUA registram uma das maiores quedas, de 68% até o domingo (12/4). Já o Reino Unido tem a maior redução do grupo, de 99%.

Gráfico da Cirium mostra a redução dos voos rastreados nos cinco países com maior movimento (Cirium)

Céus vazios no Brasil

A aviação comercial brasileira está operando com cerca de 8% de sua capacidade total. Conforme estabeleceu a ANAC no final de março, foram mantidas em operação somente ligações aéreas consideradas essenciais. São voos para as capitais dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, além de outras 19 cidades. A medida deve seguir em vigor até o final deste mês.

De acordo com a ANAC, o número de voos domésticos semanais passou de 14.781 para 1.241 (sendo 483 voos da Latam, 405 da Azul e 353 da Gol).

Veja mais: Estreia da Azul em Nova York deve ficar para 2021

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