Gol cancela pedidos de 34 jatos Boeing 737 MAX

Relatório da Boeing sobre o primeiro quadrimestre de 2020 aponta 150 cancelamentos pela série MAX
A Gol vai receber 120 jatos 737 MAX até 2028 (Gol/Portal Ponte Aérea)
A Gol vai receber 120 jatos 737 MAX até 2028 (Gol/Portal Ponte Aérea)
Um dos sete Boeing 737 Max recebidos pela Gol e que estão parados desde março: companhia mantém esperança de concluir 2020 com 23 unidades do modelo (Gol)

O relatório de pedidos e entregas de aeronaves da Boeing no primeiro quadrimestre de 2020 foi divulgado nesta terça-feira, 14 de abril, com uma série de baixas nas encomendas. Entre elas consta o cancelamento de 34 jatos 737 MAX da Gol.

O pedido original da companhia previa a aquisição de 135 jatos da família MAX, sendo 110 modelos MAX 8 e mais 30 MAX 10. A Gol recebeu sete aparelhos (737 MAX 8) até março do ano passado, quando o avião da Boeing foi aterrado no mundo e as entregas suspensas. Com a revisão na encomenda, a empresa agora vai receber mais 94 aeronaves.

A Gol é a companhia aérea brasileira que vem sofrendo maior desvalorização durante a crise do coronavírus. Após a Boeing confirmar o cancelamento dos 34 pedidos, as ações da empresa caíram 3% no Ibovespa e estavam avaliadas hoje em R$ 11,47. Entre janeiro e março deste ano, o valor da companhia despencou 70%.

“Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos clientes, muitos dos quais enfrentam pressões financeiras significativas para revisar seus planos de frota e fazer ajustes quando apropriado”, diz o comunicado da Boeing. “Ao mesmo tempo, a Boeing continua ajustando sua carteira de pedidos para adaptar-se à produção do 737 MAX abaixo do planejado no curto prazo.”

Proibido de voar há mais de um ano, o 737 MAX ainda não tem uma data definida para voltar ao serviço, embora a Boeing aposte em seu retorno para meados de julho. A fabricante ainda precisa terminar os ajustes na aeronave e provar sua segurança após os dois acidentes fatais em sua curta carreira. Outro problema é encontrar clientes para operar os MAX no período pós-pandemia, que não será fácil.

Além das baixas da Gol, a Boeing registrou mais 116 cancelamentos de pedidos pelo 737 MAX em março. O maior deles é o da empresa de leasing Avolon, que desistiu de adquirir 75 jatos. A fabricante ainda confirmou o corte de cinco pedidos da Smartwings e outras 36 desistências de clientes não identificados.

A Gol recebeu seus primeiros 737 MAX em junho de 2018 e tinha grandes expectativas com o jato da Boeing. Mais e eficiente e com maior capacidade de passageiros, o MAX poderia expandir rapidamente os negócios da companhia, com mais opções de destinos, sobretudo internacionais, e aumentar a rentabilidade substituindo os modelos 737 NG da geração anterior. Tudo isso ainda pode acontecer, mas certamente será bem mais devagar que o esperado.

Veja mais: KC-390 da FAB tem “batismo de fogo” contra o coronavírus

 

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