Meio avião, meio helicóptero: Bell-Boeing entrega 400° V-22 Osprey

Aeronave revolucionária desenvolvida pela Bell e a Boeing é tão complexa que por muito pouco não foi cancelada
O primeiro voo do V-22 foi realizado em 19 de março de 1989; cada Osprey custa cerca de US$ 70 milhões (USAF)

O consórcio formado entre a Boeing e a fabricante de helicópteros Bell entregou recentemente a 400ª aeronave “tiltrotor” V-22 Osprey, um modelo CV-22 destinado ao Comando de Operações Especiais da Força Aérea dos EUA (USAF).

O primeiro V-22 de série (versão MV-22) foi entregue ao United States Marine Corps (Fuzileiros Navais dos EUA) em 24 de maio de 1999 após um longo e complexo processo de desenvolvimento que durou quase 20 anos. Posteriormente, a aeronave também foi adotada pela Marinha dos EUA (com a versão (versão CMV-22) e a USAF.

“Quero agradecer a todos que fizeram do V-22 um sucesso por seu trabalho duro e dedicação às mulheres e homens que operam o Osprey”, disse Shane Openshaw, vice-presidente de Programas Tiltrotor e vice-diretor da equipe da Bell Boeing. “Estamos focados em construir e apoiar essas aeronaves incríveis, para que nossos clientes possam concluir suas missões aéreas, terrestres e marítimas em todo o mundo”.

Capaz de voar como um avião, mas que decola e pousa como um helicóptero, o V-22 mudou drasticamente a forma como militares e equipamentos podem ser desembarcados em um cenário de guerra. Com os rotores orientados para cima, o Osprey alça voo e aterrissa verticalmente, saindo de navios ou do solo. Uma rotação de 90° para a frente, transformam os rotores em hélices, permitindo a excêntrica aeronave voar duas vezes mais depressa, mais alto e por maiores distâncias que helicópteros de grande porte.

“Faz mais de 20 anos que o primeiro V-22 de série foi entregue e estamos orgulhosos de alcançar outro marco em nossa 400ª entrega. Os V-22 continuam em alta demanda, protegendo nosso país e nossos aliados em todo o mundo através de operações de combate, parcerias internacionais de treinamento e missões humanitárias”, disse o coronel do Corpo de Fuzileiros Navais Matthew Kelly, gerente de programa V-22.

O exército do Japão é o único cliente estrangeiro do V-22 Osprey (JGSDF)

Além das forças armadas dos EUA, o Osprey também foi comprado pelo Japão, que recebeu seu primeiro modelo em 2017. A aquisição da aeronave também já foi cogitada pelas forças armadas de Índia, Israel, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos.

Ideia antiga

A criação de uma aeronave como o V-22 remonta aos tempos do nascimento da aviação, quando foram registrados várias patentes de autogiros, heliplanos e aparelhos com rotores basculantes. Porém, devido a limitação tecnológica daquele tempo, foram poucos os projetos que chegaram a voar. Em 1951, o Marine Corps publicou as especificações para um avião de apoio, rápido, de decolagem vertical ou em pistas pequenas.

A fabricante de helicópteros Bell foi a primeiro nome da indústria aeronáutica a se aprofundar nesse conceito e escolheu os rotores basculantes para atender as especificações dos Marines. Tal projeto, no entanto, começou a ganhar forma somente na década de 1960, quando a empresa norte-americana iniciou o desenvolvimento do protótipo XV-15, que voou pela primeira vez em maio de 1977 e em pouco tempo já causou espanto: o aparelho apresentava a mesma versatilidade de um helicóptero e podia voar a velocidade máxima de 550 km/h!

O V-22 Osprey foi desenvolvido a partir do Bell XV-15 (NASA)
O V-22 Osprey foi desenvolvido a partir do Bell XV-15 (NASA)

Com o sucesso imediato alcançado com os protótipos do XV-15, o departamento de defesa dos EUA lançou o programa JVX para todos os ramos das forças armadas do país. Em 1981, a Bell e a Boeing anunciaram uma parceria para criar uma aeronave de rotores basculantes ainda mais avançada, que mais tarde seria batizada de V-22 Osprey (nome em inglês para águia-pescadora).

A Boeing ficou responsável pelo desenvolvimento da fuselagem e sistemas de integração, enquanto a Bell projetou a parte mais complexa da aeronave, os rotores basculantes, além das asas e os motores.

Embora muito parecido com o XV-15 numa escala ampliada, o V-22 era muito mais complexo. A maior parte do “avião-helicóptero” é construída com materiais compostos resistentes o suficiente para suportar impactos de projéteis de até 30 mm. Outra inovação do Osprey foi a introdução dos controles totalmente eletrônicos (fly-by-wire), essenciais para a transição do voo horizontal para o vertical e vice-versa. A aeronave também conta com uma porta na cauda, por onde podem embarcar até 24 soldados totalmente equipados (ou até 32 ocupantes) ou mesmo pequenos veículos de combate.

Dois MV-22B operando a partir do navio de ataque anfíbio USS Wasp da Marinha dos EUA (US Navy)
Dois MV-22B operando a partir do navio de ataque anfíbio USS Wasp da Marinha dos EUA (US Navy)

Em missões de transporte, o Osprey pode carregar uma carga interna de até 9.000 kg ou cargas suspensas de até 4.500 kg voando a velocidade de cruzeiro de 370 km/h, uma tarefa impossível para um helicóptero convencional.

Veja mais: Bolsonaro volta atrás e revoga permissão para o Exército ter aviões

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