A simulação mostra a propagação das gotículas na cabine de um Boeing 767 (Divulgação)

Uma simulação criada em computador mostra até que ponto as gotículas invisíveis de uma única tosse podem se espalhar pela cabine de um avião, destacando como os passageiros pode ser expostos ao coronavírus em viagens aéreas.

O vídeo mostra como uma uma única tosse de uma pessoa sentada no banco do meio da fileira central de assentos projeta uma nuvem de pequenas gotículas – coloridas em roxo – no ar e a forma como ela depois se espalha pela cabine da aeronave.

A simulação, produzida pela Escola de Engenharia Mecânica da Universidade de Purdue, nos EUA, vem de um estudo realizado em 2014 com engenheiros da Boeing, que buscavam determinar se a alteração do sistema de ventilação de um avião poderia diminuir o risco de contrair SARS. Este vídeo em particular simula a propagação do vírus na cabine de um Boeing 767.

Dezenas de companhias, muitas das quais afetadas duramente pela pandemia de Covid-19, vem divulgando nas últimas semanas que é seguro voar e garantem aos passageiros que suas aeronaves usam filtros de ar que podem minimizar o risco de contágio.

Conhecido como HEPA (sigla em inglês para “Detenção de Partículas de Alta Eficiência”), esses filtros de ar de alta eficiência têm milhões de camadas de captura de partículas que são misturadas ao ar captado pelos motores do avião, criando uma mistura de ar fresco e recirculado.

No entanto, embora esses filtros possam ser eficazes, os passageiros ainda são expostos a pequenas gotículas flutuantes de tosse antes delas serem filtradas e expelidas da cabine.

A simulação da universidade de Purdue foi elaborada seguindo o pressuposto de que a SARS é transmitida pelo ar. Ainda não está claro se o coronavírus causador da Covid-19 se espalha da mesma maneira.

A Organização Mundial da Saúde (OMS disse que o coronavírus não se espalha entre pessoas que mantenham uma distância de um metro e meio das outras. Porém, estudos recentes sugerem que as gotículas que contêm Covid-19 podem viajar mais de um metro e meio, além de persistirem no ar em forma de aerossol.

Um estudo publicado no início de abril pelo Emerging Infectious Diseases Journal descobriu que um sistema de ar condicionado ajudou a infectar nove pessoas com o coronavírus em um restaurante sem janelas em Guangzhou, na China, em janeiro deste ano.

Qingyan Chen. Professor de engenharia por trás da simulação criada pela universidade de Purdue, disse ao jornal Washington Post: “Pra ser honesto, os aviões não projetados para impedir a transmissão de doenças infecciosas. Eles não são projetados para fazer esse trabalho”.

Se a ameaça da Covid-19 persistir, talvez os aviões comerciais precisem ser reprojetados para impedir a contaminação de passageiros em voos, afinal foram eles os principais transportadores do novo coronavírus para todos os cantos do mundo.

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