A tecnologia desenvolvida pela Embraer capaz de fazer o E195-E2 decolar de forma automática avançou no processo de certificação nos Estados Unidos. A Federal Aviation Administration (FAA), agência de aviação civil dos EUA, propôs condições especiais para aprovar o sistema, conhecido como Embraer Enhanced Takeoff System (E2TS).

O documento foi publicado em 27 de outubro e se aplica especificamente ao ERJ 190-400, designação usada na certificação do E195-E2. Portanto, a medida da FAA não abrange, neste momento, o E190-E2, de menor capacidade.

O E2TS é capaz de controlar automaticamente os movimentos de arfagem e inclinação lateral do avião durante a decolagem. Na prática, o sistema pode comandar a rotação — momento em que o nariz do E195-E2 começa a subir para que a aeronave deixe a pista — e controlar a fase inicial da subida sem que o piloto precise realizar esses movimentos nos comandos de voo.

A FAA considera a tecnologia suficientemente diferente de uma decolagem convencional para exigir regras específicas. As normas atuais de certificação de grandes aviões comerciais partem do princípio de que algumas dessas ações são realizadas diretamente pelos pilotos e, segundo a agência, não contêm padrões de segurança adequados para avaliar todas as características do E2TS.

O E2TS realiza a rotação de forma automática
O E2TS realiza a rotação de forma automática | Stanley Ip

Como o E195-E2 decola sozinho

O processo começa de forma bastante convencional. Os pilotos alinham o E195-E2 na pista e levam as manetes de potência até a posição TOGA, sigla para "takeoff/go-around".

Trata-se de uma posição predeterminada das manetes usada para comandar a potência necessária para a decolagem ou para uma arremetida, quando uma aproximação para pouso é interrompida e o avião volta a subir.

Com o E2TS disponível, selecionar TOGA no início da corrida permite que o sistema automático passe a controlar determinadas funções do voo.

Isso não significa que os pilotos simplesmente assistam ao avião decolar. Enquanto o E195-E2 acelera sobre a pista, eles continuam responsáveis pelo controle direcional, mantendo a aeronave alinhada com o eixo da pista.

Embraer espera ampliar autonomia e carga paga
Embraer espera ampliar autonomia e carga paga | MET

A grande diferença aparece na hora de sair do chão. Quando chega o momento da rotação, o E2TS comanda automaticamente a elevação do nariz do avião. Depois, controla a arfagem e a inclinação lateral durante a subida inicial.

Segundo a FAA, o sistema foi projetado para executar essas funções tanto em decolagens normais quanto em determinadas situações envolvendo falha de um dos motores.

Regras atuais não previam esse tipo de decolagem

A novidade obrigou a FAA a estabelecer condições especiais para o processo de certificação.

Uma delas envolve a VR, velocidade calculada na qual deve começar a rotação. Em uma decolagem convencional, é nesse ponto que o piloto inicia o movimento que levanta o nariz da aeronave.

Como no E2TS essa ação passa para o sistema automático, a Embraer terá de demonstrar que eventuais variações na velocidade em que a rotação efetivamente começa permanecem dentro dos limites estabelecidos e não comprometem o desempenho da decolagem.

A agência também quer avaliar os efeitos do sistema sobre a distância necessária para a decolagem e exigir que seu funcionamento não produza características inseguras de voo.

A LATAM deve ser a primeira a usar o E2TS
A LATAM deve ser a primeira a usar o E2TS | Willian Moreira

Aprovação ainda não foi concedida

A publicação das condições especiais propostas representa uma etapa do processo de certificação, mas não significa que o E2TS já tenha sido aprovado pela FAA.

O documento está aberto a comentários até 27 de novembro. Depois dessa etapa, a agência poderá estabelecer as condições especiais definitivas que integrarão a base de certificação do E195-E2 equipado com o sistema.

A Embraer espera que o E2TS reduza a distância de pista necessária para a decolagem, permitindo que o E195-E2 transporte mais carga ou combustível em aeroportos com limitações de pista. Dependendo das condições, a fabricante estima que a tecnologia possa ampliar o alcance em até 500 milhas náuticas (926 km).