Trump pode proibir motores LEAP e aviônicos da Honeywell no jato chinês C919

Restrição ao programa do rival da COMAC para o Boeing 737 pode fazer com que a China deixe de encomendar aviões dos EUA
COMAC C919
O jato chinês C919 talvez fique sem os motores LEAP e o aviônicos da Honeywell (Ken Chen)
O jato chinês C919 talvez fique sem os motores LEAP e o aviônicos da Honeywell (Ken Chen)

A guerra comercial entre os EUA e a China pode ganhar mais um capítulo polêmico. Segundo fontes próximos ao governo ouvidas pela Reuters, o presidente Donald Trump pode restringir o fornecimento de motores turbofan Leap-1C da CFM e aviônicos da Honeywell para o jato comercial C919, da COMAC.

A proibição pode ser confirmada nesta quinta-feira ou no dia 28 de fevereiro, durante reuniões com o gabinete de Trump. Atualmente, essas empresas têm licenças de exportação, porém, o programa chinês tem sido alvo de acusações de espionagem e prática de engenharia reversa.

Em revelações no ano passado, os EUA apontaram que empresas chinesas haviam hackeado parceiros americanos do C919 em busca de projetos para desenvolver os componentes localmente, o que a COMAC negou. No entanto, a fabricante chinesa AECC desenvolve atualmente um turbofan que é muito semelhante ao LEAP-1, o CJ-1000AX, que também equipará o C919.

Embora tenha a francesa Safran como sócia, a CFM pode sofrer ingerência do governo dos EUA por conta da GE. O LEAP-1 é utilizado pelo A320neo e também pelo 737 Max, jato que está aterrado por problemas de segurança.

O cockpit do C919 é equipado com alguns dos aviônicos mais avançados da indústria (Divulgação)
O cockpit do C919: Honeywell pode ser proibida de exportar para os chineses também (Divulgação)

Retaliação chinesa

No caso da Honeywell, além da proibição da exportação de sistemas de controle de voo para a COMAC, a empresa teria de desistir de participar do desenvolvimento do widebody CR929, programa conjunto entre russos e chineses.

Atualmente, a fabricante chinesa tem passado por apuros com o C919 por imprevistos em seu projeto. Mesmo com seis aviões de testes, a certificação do modelo, que era esperada para 2020, só deverá ocorrer em 2022.

Com porte semelhante ao Airbus A320neo, o C919 promete ser mais barato e econômico, mas a falta de tradição comercial dos aviões chineses pode ser um empecilho para seu sucesso. Por outro lado, o mercado chinês pode (e deve) absorver uma grande quantidade de aeronaves.

Por falar nisso, a preocupação de analistas caso o governo Trump impeça o uso da tecnologia ocidental é que a China passe a boicotar os aviões da Boeing, algo que já tem ocorrido discretamente – o 787, por exemplo, não recebe encomendas de empresas do país desde 2017.

Maquete do widebody CR929: programa pode ser afetado pelo boicote americano (UAC)

Veja rambém: Para atender alta demanda da Ásia, Airbus vai finalizar o A350 na China

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  1. Essa briga comercial entre EUA – China, levará o mundo pra uma crise econômica jamais vista.
    Até os apoiadores de tudo isso que está prestes a ocorrer, sentirão na pele e no bolso.

  2. Que cockpit bonito esse do C919, da de 10 a 0 em qualquer Airbus e Boeing que por sinal, tem um dos mais feios e ultrapassados, do 777 e 747, sendo marrom, o da Embraer é outro que a cor é feita, mas pior disparado é os Russos, principalmente os antigos, da URSS verde.

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