A Aeroflot opera 49 jatos russos SSJ100, mas deve receber outra centena nos próximos anos (Anna Zvereva)

Dona de uma frota de 359 aeronaves, a Aeroflot e suas subsidiárias operam majoritariamente modelos ocidentais como exceção do jato SSJ100. Mas esse cenário deverá mudar nos próximos anos, segundo dados divulgado pela companhia aérea russa nesta semana. A meta da Aeroflot é chegar a 2026 com 200 aviões produzidos na Rússia, ou cerca de 40% de sua futura frota de 520 unidades, número previsto para 2023.

Atualmente, existem apenas 49 aviões russos na empresa, os jatos SSJ100 fabricados pela Sukhoi e que tem deixado a desejar em confiabiliade. A Aeroflot perdeu uma das aeronaves num acidente em Moscou no ano passado que vitimou 41 pessoas.

Para chegar esse objetivo, a companhia aérea de bandeira da Rússia está recebendo outros 100 SSJ100 e passará a contar com o novo MC-21-300 já em 2021. O jato de um corredor é hoje o programa de avião comercial mais ambicioso do país e prevê um modelo capaz de transportar de 163 a 211 passageiros.

Desenvolvido pela Irkut, parte do grupo UAC, o MC-21-300 terá 50 unidades arrendadas pela Aeroflot e deve se tornar o principal jato de curto e médio alcance da companhia.

O jato russo MC-21-300: primeiras seis unidades em operação em 2021 pela Aeroflot (UAC)

Widebodies russos? Não tão cedo

Vladimir Putin, o presidente da Rússia, tem incentivado a indústria local a voltar a ter uma linha de aviões mais variada a fim de depender menos do Ocidente. A UAC é a responsável por transformar a ordem de Putin em realidade e para isso possui vários programas paralelos em andamento – além do MC-21, há também o turboélice Il-114-300 e uma versão atualizada do quadrimotor Il-96, ainda dos tempos da União Soviética.

A Rússia, no entanto, tem dificuldades em lançar widebodies, cuja demanda é menor a despeito do custo elevado. O Il-96-400M, cujo primeiro avião de teste está sendo finalizado e deve voar em 2021, é um atalho para voltar a produzir uma aeronave de grande capacidade.

Ele é maior que o antecessor, o Il-96-300, podendo acomodar até 400 passageiros em classe única. Seus motores turbofan, entretanto, são os velhos e gastões PS-90, o que faria dele um enorme fracasso nos Estados Unidos ou Europa. Mas como o governo está bancando o projeto, não será surpresa se a Aeroflot utilizar alguns ao lado dos seus novos A350.

O futuro reserva ainda a possível chegada do CR929, este sim um widebody de nova geração, bimotor, e desenvolvido em parceria com a COMAC, da China. Mas recentes desentendimentos entre os dois países podem jogar os esforços por terra, para irritação de Putin.

Projeção do Il-96-400M: iniciativa isolada da Rússia (UAC)

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