Airbus A380 da Emirates decolando do hub em Dubai (Emirates Airline)

Os Airbus A380 da Emirates Airline voltaram aos céus nessa quarta-feira, 15, com voos de Dubai para Londres e Paris, após ficarem quase quatro meses no chão. A partir de 1º de agosto, a companhia também retomará o voo diário com a aeronave para Amsterdã e adicionará um segundo trecho diário com o A380 para Londres Heathrow.

A empresa aérea do Oriente Médio suspendeu todas as operações no final de março quando os Emirados Árabes Unidos proibiram voos comerciais. Em abril, o país aliviou as restrições e a Emirates iniciou uma lenta retomada, começando com uma série de voos de repatriação e, em seguida, aumentou progressivamente a lista de destinos, chegando hoje a 50 cidades. Contudo, até esta semana a Emirates operava exclusivamente com o Boeing 777 em todas as rotas.

Sempre lembrada por ter a maior frota de A380 do mundo, com 114 aeronaves, a empresa aérea de Dubai também é o maior operador do 777, com 141 aparelhos (10 777-200ER e 131 777-300ER).

Experiência diferente no A380

Alguns dos recursos mais famosos dos A380 da Emirates estão indisponíveis durante essa fase de recuperação da pandemia. O bar na cabine está fechado e os passageiros da primeira classe não poderão acessar as suítes de banho. A empresa ainda informou que as barras entre os assentos da classe executiva permanecerão fechadas nos voos. Portanto, nada de festa, conversa ou banho nas viagens do Superjumbo.

Bar fechado: por medidas de precaução contra a COVID-19, a Emirates fechou o bar do A380 (Emirates Airline)

A Emirates também ajustou seus serviços de embarque e na cabine e os comissários de bordo e funcionários em terra usam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) rigorosos.

A empresa ainda não programou mais voos com o A380. Por outro lado, a Emirates retomou as operações regulares para outras sete cidades (com jatos 777) – Atenas, Barcelona, Genebra, Glasgow, Lárnaca, Munique e Roma. No próximos dias, a companhia retorna para Malé, Washington DC e Bruxelas.

A partir do dia 2 de agosto, a Emirates retoma o atendimento em São Paulo/Guarulhos, começando com uma frequência de dois voos por semana operados com jatos 777 em vez do A380.

Comissários da Emirates com EPIs (Emirates Airline)

Avião no “grupo de risco”

O A380 é o principal avião comercial no “grupo de risco” na crise do setor aéreo causada pela pandemia.

Com a queda brusca na demanda por transporte aéreo nos últimos meses e medidas de restrições de voos, as companhias aéreas ficaram sem passageiros para ocupar os mais de 400 ou 500 assentos disponíveis na aeronave de dois andares.

Durante o pico da pandemia, foram os raros os A380 que se arriscaram a voar e alguns deles nunca mais devem decolar. Em meio a crise, a Air France anunciou a aposentadoria imediata de todos os seus aparelhos e a Lufthansa reduziu sua frota. Outras companhias armazenaram seus aparelhos e devem mantê-los parados por um ano ou mais. Ou para sempre?

A única companhia aérea que ainda tem pedidos pelo A380 é a Emirates, com mais nove exemplares encomendados. A produção da aeronave está programada para terminar em 2021. Nesse ponto, espera-se que a empresa árabe opere o avião até meados da década de 2030, se ainda valer a pena.

Veja mais: Hi Fly adapta Airbus A380 para transportar cargas