Boeing deve descartar o 737 MAX e projetar um substituto, diz CEO da Qatar Airways

Presidente-executivo da Qatar, Akbar Al Baker disse que o nome 737 MAX está manchado e que os passageiros não confiarão no avião da Boeing
Boeing 737 MAX 7
(Steve Lynes – Wikimedia Commons)
Cerca de 800 aviões aterrados: o 737 MAX está proibido de voar desde março de 2019 (Steve Lynes)

De acordo com um dos principais executivos do setor de aviação comercial, a Boeing deve descartar o problemático jato 737 MAX e projetar um substituto o mais rápido possível.

Em entrevista ao AirlineRatings, Akbar Al Baker, presidente-executivo da Qatar Airways, revelou que no ano passado sugeriu ao alto comando da Boeing que iniciasse imediatamente um projeto para ocupar a vaga da família 737 MAX.

“O nome do 737 MAX foi manchado após os dois acidentes e os passageiros não confiarão nele”, alertou Al Baker. “Eles (a Boeing) precisam começar com uma folha em branco.”

Al Baker disse que as aeronaves de corredor único (narrowbody) com 180 a 220 assentos são extremamente importantes para a Boeing. “O corredor único é a espinha dorsal da empresa, eles devem continuar com um novo design”, disse o CEO da Qatar Airways

A empresa aérea do Qatar não opera o 737 MAX, mas possui em sua frota mais de 100 aeronaves widebody (dois corredores) da fabricante norte-americana, como os modelos 777-300ER e o 787-8. A Qatar Airways também encomendou o novo 777X, que deve estrear nos aeroportos em 2022.

O 737 MAX está proibido de executar voos comerciais desde março de 2019, após dois acidentes fatais envolvendo aeronaves das companhias Lion Air e Ethiopian Airlines.

Investigações apontaram que as duas tragédias com o 737 MAX tiveram características similares. Ambas foram causados pelo mau funcionamento do sistema MCAS (sigla em inglês para “Sistema de Ampliação de Características de Manobra”), equipamento que deveria corrigir automaticamente a posição do avião em situações de instabilidade, mas que acabou forçando as aeronaves a um mergulho mortal. Além disso, os pilotos não eram treinados para lidar com essa pane.

Quando o assunto são jatos de um corredor, a Qatar prefere o Airbus A320 (Toshi Aoki)

A Boeing tem trabalhado com agências de aviação de vários países para chegar a um acordo sobre as correções no projeto do 737 MAX e livrá-lo do aterramento. Cerca de 800 aeronaves estão paradas no mundo todo, sendo metade delas em instalações da fabricante americana, que está proibida de entregar os aviões. A liberação do jato deve ser anunciada até o final deste ano.

Mudança de nome

Ao contrário do que sugerido pelo CEO da Qatar, a Boeing não deve descartar o 737 MAX tão cedo. Em vez disso, a fabricante dá pistas de que deve ao menos abandonar o nome MAX e adotar uma designação genérica. Em comunicado recente, a empresa chamou o 737 MAX 8 de “737-8”.

Único operador do 737 MAX no Brasil, a Gol confirmou em abril do ano passado que vai utilizar a nomenclatura 737-8. Outra empresa que também alterou a nomenclatura do avião é low-cost Ryanair, que passou a chamar o 737 MAX 200 de “737-8200”.

Desde que o 737 MAX foi proibido de voar, a Boeing perdeu mais de 700 pedidos pela aeronave. Mais da metade dessas desistências foi anunciada neste ano devido a crise no setor aéreo causada pela pandemia de Covid-19.

Veja mais: Orçamento de defesa para 2021 inclui a compra de aviões para o Exército

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