Boeing pagará R$ 2,4 bilhões à Gol para compensar aterramento do 737 MAX

Em comunicado para investidores, companhia confirma compensação da Boeing e planos para reduzir a frota
Boeing 737 MAX 8 - Gol
Um dos sete Boeing 737 Max recebidos pela Gol e que estão parados desde março: companhia mantém esperança de concluir 2020 com 23 unidades do modelo (Gol)
Um dos sete Boeing 737 Max recebidos pela Gol e que estão parados desde março do ano passado (Gol)

A Gol informou nesta quarta-feira, 13, em comunicado para investidores, que receberá R$ 2,4 bilhões (US$ 412 milhões) da Boeing como compensação pelo aterramento dos jatos 737 MAX, que seguem proibidos de voar há mais de um ano.

Em março, a Gol chegou a um acordo de compensação com a Boeing sobre a paralisação dos 737 MAX e de reestruturação da carteira de pedidos, cancelando a aquisição de 34 aviões. A fabricante americana já pagou uma parcela de R$ 500 mil em abril e o R$ 1,9 bilhão restante será recebido nos próximos anos, continua o comunicado da companhia.

A ajuda da Boeing chega no momento em que a Gol vem operando com apenas 8% da capacidade de sua frota. Desde o final de março, a empresa estacionou 120 aviões e está operando em média com 11 aeronaves. Esses jatos estão atendendo a linha de voos considerados essenciais pela ANAC no Brasil e realizam em média 50 viagens por dia para 27 destinos, todos operados a partir do aeroporto de Guarulhos (SP). Antes da pandemia, a companhia operava mais de 700 voos por dia para mais de 100 localidades.

Mantendo esse ritmo de operações e considerando os níveis de liquidez da Gol, a empresa diz estar em uma posição “robusta” com mais de 10 meses em reservas de caixa para se proteger durante a crise. Para se ajustar ao novo momento do mercado durante a pandemia, a companhia concedeu mais de 6 mil licenças voluntárias não remuneradas de colaborares, cerca de 40% de sua força de trabalho.

“A Gol acredita que estará bem posicionada no mercado durante sua recuperação, devido à sua malha doméstica que atende tanto os passageiros de negócios quanto os de lazer. Atualmente, a companhia possui uma forte posição competitiva e vislumbra a oportunidade de expandir esse posicionamento em um cenário de recuperação, dentro de um setor menor e mais estruturado”, afirma o comunicado da empresa.

O setor menor e mais estrutura significa menos aviões na frota. A companhia devolveu sete jatos 737-800 alugados durante o primeiro trimestre deste ano e vai despachar mais quatro aparelhos nos próximos três meses. Até o final de 2020, a empresa planeja devolver um total de 18 aeronaves arrendadas. Em 2021, outros 30 aviões podem ir embora.

Esperando uma demanda mais franca no período pós pandemia e com a necessidade de reduzir os custos de arrendamento de aeronaves por assento-quilômetro, a Gol informou que avalia uma redução de frota focada nos seus 23 modelos 737-700, que representam 15% do total de assentos oferecidos pela empresa.

A companhia também adiou os prazos de recebimento de 47 jatos 737 MAX até 2022. Antes do avião da Boeing ser aterrado em março de 2019 e de toda crise atual com a pandemia, a Gol esperava ter hoje mais de 20 jatos de nova geração a Boeing operando em voos domésticos e internacionais. Até 2024, seriam mais de 50 jatos da série MAX, acelerando a renovação da frota da companhia, que até então havia encomendado mais de 130 aeronaves, incluindo a inédita versão MAX 10. Até a ordem de aterramento, a empresa recebeu sete modelos 737 MAX 8.

Outras companhias operadoras do 737 MAX já negociaram acordos de compensação com a Boeing, como a Turkish Airlines, American Airlines e a Southwest Airlines, que vai receber cerca de R$ 1,2 bilhão.

No começo do ano, a Boeing lançou o que parecia ser o comunicado definitivo sobre o retorno do 737 MAX, que poderia ser liberado até julho. Ao mesmo, na China e outros países na Ásia, começava o surto do novo coronavírus. Três meses depois, a Organização Mundial de Saúde declarou estado de pandemia. Com a nova crise, a fabricante empurrou o provável retorno da aeronave para o final de 2020. Enquanto isso, a empresa que enfrenta seu pior momento em mais de 100 anos de história na aviação vai somando cancelamentos de pedidos ao montes e pagando mais compensações.

Veja mais: Embraer entregou apenas cinco jatos comerciais no primeiro trimestre

 

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