O CEO da Airbus, Guillaume Faury, afirmou que a Embraer deveria "pensar duas vezes" antes de entrar no mercado de aeronaves de corredor único acima de 150 lugares, alegando que competir com Airbus, Boeing e COMAC seria um desafio difícil e custoso.
Em entrevista à Aviation Week, Faury foi questionado sobre as especulações recorrentes de que a Embraer poderia, no futuro, desenvolver jato maior para concorrer com as famílias Airbus A320neo e Boeing 737 MAX.
"Essa resposta cabe a eles. É uma decisão difícil. Obviamente, entrar nesse mercado, tendo Boeing, Airbus e agora a COMAC, não é fácil. Eu pensaria duas vezes. Acho que é um grande risco", disse Faury.
A fabricante brasileira já afirmou diversas vezes que ainda não decidiu se seu próximo projeto do zero será uma aeronave comercial, executiva ou militar. Executivos da empresa também reconhecem que um jato comercial maior provavelmente exigiria parceiros industriais ou investidores externos para dividir custos de desenvolvimento e riscos financeiros.
Notícias relacionadas
Atualmente, o maior avião comercial da Embraer é o E195-E2, normalmente configurado para 132 a 136 assentos, embora possa acomodar até 146 passageiros. Avançar para o segmento de corredor único significaria concorrer com modelos como o Airbus A320neo e o Boeing 737 MAX, que costumam transportar cerca de 170 a 180 passageiros e podem ultrapassar 200 assentos em configurações de alta densidade.

Desenvolver uma aeronave de corredor único exigiria muito mais do que projetar um jato maior. Seria necessário ampliar a capacidade de produção, construir uma rede de fornecedores mais abrangente e disputar um mercado há muito dominado por Airbus e Boeing, enquanto a chinesa COMAC tenta aumentar gradualmente as entregas do C919.
Ao mesmo tempo, Airbus e Boeing continuam enfrentando restrições de produção, com companhias aéreas frequentemente aguardando vários anos pela entrega de novos aviões de corredor único. Esses atrasos alimentam o debate sobre a possibilidade de outro fabricante entrar no segmento e oferecer uma alternativa às companhias.
Outro desafio é definir como será a próxima geração de aeronaves de corredor único. Fabricantes de motores desenvolvem tecnologias como o demonstrador open-fan RISE da CFM International, do qual a Airbus é parceira, enquanto o conceito de aeronave com fuselagem integrada avança com a startup JetZero.

Até que essas tecnologias amadureçam, tanto Airbus quanto Boeing concentram esforços em ampliar a produção das famílias A320 e 737, em vez de apostar em projetos totalmente novos.
O CEO da Airbus confirmou que a empresa mantém o cronograma para lançar o sucessor do A320 por volta de 2030, com entrada em serviço prevista para a segunda metade da década de 2030.



