China diz que concluiu testes para certificar “genérico” do A320

Projeto C919 da COMAC é polêmico e envolve acusação de espionagem
O jato chinês COMAC C919 voou pela primeira vez em maio de 2017 (Xinhua)
O jato chinês COMAC C919 voou pela primeira vez em maio de 2017 (Xinhua)

A agência estatal chinesa Xinhua afirmou nesta segunda-feira (25) que a COMAC concluiu os testes de certificação para a aeronave civil de grande porte C919, uma “cópia genérica do A320”. A China pretende que o modelo tenha condições de disputar espaço com os populares Airbus A320 e Boeing 737.

Segundo a Xinhua, seis aviões C919 completaram os testes com sucesso e agora a certificação deve entrar em sua fase final. Os testes teriam sido feitos de acordo com o regulamento internacional de aviação civil.

De acordo com a Xinhua, a COMAC já recebeu 815 pedidos de 28 clientes. No entanto, até o momento, apenas a OTT Airlines, subsidiária da China Eastern Airlines, foi a única cliente a fechar um pedido firme, de cinco unidades da aeronave.

Projeto polêmico

Embora seja boa notícia, o projeto acumula atrasos e problemas. O primeio modelo C919 saiu da linha de montagem em 2015 e fez seu primeiro voo em maio de 2017.

A certificação pela CAAC, a agência aviação civil chinesa, era esperada para o final de 2021, mas em janeiro a COMAC confirmou que ainda faltavam 242 voos dos 276 programados.

O cockpit do jato chinês C919 é equipado com alguns dos aviônicos mais avançados da indústria (Divulgação)
O cockpit do C919 é equipado com alguns dos aviônicos mais avançados da indústria (Divulgação)

Um dos motivos alegados para o atraso teria sido a pandemia do Covid-19, que impediu que quatro dos protótipos realizassem voos durante um longo tempo. Em maio deste ano, o primeiro C919 de produção em série realizou um “voo de estreia” ainda sem ter a certificação.

Acusação de espionagem

O C919 utiliza o turbofan Leap-1C, também presente nos jatos ocidentais da Airbus e Boeing. Em 2018, os Estados Unidos acusaram a China de espionagem por tentar hackear sistemas privados para roubar informações sobre motores de aeronaves do porte do C919.

O motor Leap-1, usado no C919: embargos podem atrasar programa ainda mais

Segundo os EUA, agentes infiltrados teriam o objetivo de recolher dados para construir motores similares sem ter os custos de desenvolvimento. Os agentes acusados teria trabalhado entre 2010 e 2015.

Por isso, a China tenta seguir o mesmo roteiro da Rússia, que busca encerrar a dependência ocidental com equivalentes domésticos.

No entanto, a indústria do país possui menos conhecimento de vários processos fabris. Alternativa ao turbofan da CFM, o motor CJ-1000A, por exemplo, ainda está em estágios iniciais de desenvolvimento.

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Dario Lemos
Dario Lemos
25 dias atrás

Por que genérico? Só porque tem fuselagem, asas, empenagem, motores Leap, trem de pouso e glass cockpit? O 737, apesar de projetado nos anos 1960 também tem as mesmas características, à exceção do sistema 100% fly-by-wire e nem por isso pode-se dizer que o A320 foi um genérico do produto norte-americano, afinal, as leis da Física são as mesmas para todos. Quanto à espionagem, isso não é novidade, sempre existiu e sempre existirá, ainda mais vindo de um país onde as leis são feitas para beneficio próprio.

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