Companhia aérea estatal da Venezuela retomará voos para Buenos Aires

Conviasa havia suspendido ligação em 2017 por falta de um avião com alcance suficiente. Anúncio coincide com a chegada ao poder de partido simpático ao regime de Nicolás Maduro
O único A340-200 da Conviasa está fora de serviço há bastante tempo (Alex Barbosa)
O único A340-200 da Conviasa está fora de serviço há bastante tempo (Alex Barbosa)

A situação do mercado de aviação argentino ainda é um mistério após a posse de Alberto Fernandéz, do partido Justicialista, mas uma coisa já é certa: a ligação aérea entre Buenos Aires e Caracas será retomada a partir de fevereiro de 2020, anunciou a Conviasa, estatal aérea da Venezuela.

Os voos entre a Argentina e a Venezuela estão suspensos desde 2017 quando as companhias Aerolíneas Argentinas e Conviasa anunciaram quase que ao mesmo tempo o encerramento de suas operações. No caso da companhia estatal venezuelana, no entanto, o principal motivo foi a ausência de um jato com alcance suficiente para voar sem escalas no trecho, com pouco mais de 5 mil km de distância.

A Conviasa revelou a informação em suas redes sociais, apenas afirmando que voltará a oferecer frequências na rota sem detalhar como isso será feito na prática. O serviço, inclusive, é vendido como uma extensão para a cidade caribenha de Porlamar, destino turístico com potencial de atrair passageiros argentinos.

Para viabilizar a retomada, deverá ser utilizado o único A340-200 da frota da companhia e que está há bastante tempo fora de serviço. Informações recentes dão conta de que a Conviasa planeja deixá-lo em condições de voo no início de 2020.

Com quase 27 anos de uso, o quadrirreator da Airbus foi entregue originalmente para a Air France onde voou por cinco anos antes de ser repassado para a Air Tahiti Nui. A Conviasa o recebeu em 2007, mas chegou a cedê-lo para a Iran Air logo em seguida. Entre várias idas e vindas, a aeronave estava estocada em Teerã em julho deste ano, segundo informações do site Planespotters.

A Conviasa tem uma frota 16 E190 comprados novos da Embraer no início da década (Orlando Suárez)

Cliente da Embraer

Criada em 2004 pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, a Conviasa surgiu como sucessora da Viasa, que havia falido em 1997. Sua carreira comercial, no entanto, foi sempre atribulada, sendo proibida de voar para a Europa e Estados Unidos durante alguns períodos por alegados riscos à segurança.

Atualmente, a frota da companhia aérea é formada por 16 jatos E190, comprados novos da Embraer no início da década, coincidentemente um período em que o Brasil tinha como presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, e que é simpático ao regime de Nicolás Maduro.

Com alcance mais restrito, o avião brasileiro é usado em voos locais, mas também em rotas internacionais para países como Panamá, República Dominicana, mas sobretudo destinos cujos governos são de esquerda como Cuba, Nicarágua, Bolívia e Equador, onde o atual presidente foi aliado de longa data do ex-presidente Rafael Côrrea – mas hoje tem inclinado para um governo liberal.

A volta da ligação com a Argentina coincide com o retorno de um governo de esquerda ao país, cuja vice-presidente, Cristina Kirchner, esteve alinhada à Venezuela por muitos anos. Resta saber se a Aerolíneas Argentinas também fará o mesmo em breve, o que seria uma atitude natural do atual governo do partido Justicialista.

A Viasa chegou a ter vários widebodies em sua frota, incluindo o DC-10 e o 747 (foto)
A Viasa foi durante muitos anos a companhia de bandeira da Venezuela, mas faliu em 1997

Veja também: Airbus A380 estreia na Venezuela

Total
7
Shares
2 comments
  1. Uma verdadeira temeridade para a aviação comercial. Essa única aeronave deve ter manutenção deficiente e poderá causar sérios problemas . 27 anos de uso , repassada para o Iran, parada em Teerã. Que histórico temerário!

Comments are closed.

Previous Post

Hyundai assume controle da companhia Asiana Airlines

Next Post

Azul encerra 2019 com 33 novos aviões na frota

Related Posts