Coronavírus causa primeira baixa entre companhias aéreas, a inglesa FlyBe

Companhia aérea regional do Reino Unido colapsa após demanda de passageiros afundar por conta da epidemia. IATA revela que em janeiro foi pior mês em crescimento desde 2010
A regional britânica FlyBe foi a “primeira vítma” do coronavírus entre as empresas aéreas (Tony Hisgett)

A epidemia mundial do coronavírus já afeta seriamente o tráfego aéreo de passageiros no mundo e acaba de fazer sua primeira vítima, a companhia aérea britânica FlyBe, que encerrou seus voos nesta quinta-feira, 05. O colapso da regional do Reino Unido, que operava uma rede de voos entre aeroportos menores do país e cidades da Europa, mostra que a queda na demanda causada pelo COVID-19, como é chamada a doença pelos profissionais de saúde, mal começou.

Embora a FlyBe já estivesse com as finanças arruinadas e recebido socorro em janeiro, o efeito dos cancelamentos de voos e as restrições de deslocamento de milhares de passageiros pode ser o início de uma série de quebras na aviação comercial, setor conhecido pela fragilidade financeira de muitas empresas.

De fato, a IATA, a associação mundial das companhias aéreas, afirmou nesta quarta-feira, 4, que o impacto do coronavírus mal começou: “Janeiro foi apenas a ponta do iceberg em termos dos impactos no tráfego que estamos vendo devido ao surto de COVID-19, dado que as principais restrições de viagens na China não começaram até 23 de janeiro. No entanto, ainda era o suficiente para causar o crescimento de tráfego mais lento em quase uma década”, afirmou Alexandre de Juniac, CEO da IATA.

As estatísticas de janeiro divulgadas pela IATA revelam que a demanda global de tráfego de passageiros cresceu 2,4% comparado ao mesmo período de 2019. Embora positiva, a leitura da associação é de que o esperado seria uma taxa mais alta, acima de 4,5%, o que tem ocorrido desde 2010, ano em que a nuvem de cinzas de um vulcão na Islândia causou vários cancelamentos de voos.

Dólar alto também pesou

As regiões da África, Oriente Médio e América do Norte acabaram não afetadas pelo efeito da epidemia, com crescimento acima de 5% enquanto a Europa, a Ásia e a América Latina tiveram um aumento inexpressivo.

Por falar no mercado latino-americano, que não teve influência do coronavírus em janeiro, há um fator extra para a queda sobretudo no tráfego internacional, o aumento da cotação do dólar, que desestimulou viagens ao exterior. O Brasil, maior mercado da região, teve crescimento no tráfego doméstico de 2,1%, já os voos internacionais na América Latina caíram 3,7%. Até agora, no entanto, apenas a Latam anunciou a suspensão do voo entre São Paulo e Milão, onde há o maior surto da doença na Europa. A Virgin Atlantic, que deveria estrear um voo entre Londres a capital paulista, postergou o início do voo de março para outubro, porém, a leitura nos bastidores é que o voo da companhia também não havia atraído muitos passageiros.

A Lufthansa e suas empresas coligadas paralisaram a operação de cerca de 150 aviões por conta da baixa demanda na Europa (Airbus)

A China, epicentro da epidemia, viu seu tráfego doméstico cair 6,8%, número que certamente será muito maior em fevereiro, quando houve incontáveis cancelamentos por conta das restrições impostas pelo governo do país para deslocamentos internos.

Medidas de contingência

Com o vírus cada vez mais espalhado pelo mundo e o temor crescente na população, as companhias aéreas estão sendo obrigadas a tomar medidas extremas para evitar prejuízos maiores. Na Europa, onde o surto tem se expandido rapidamente, há centenas de cancelamentos diários e aviões decolando vazios.

O grupo Lufthansa confirmou nesta semana que cortou sua capacidade operacional em um quinto, o que equivale a retirar de serviço 150 dos cerca de 750 aviões de todas as companhias aéreas do grupo somadas. Outras empresas aéreas estão estimulando que passageiros com reservas em março alterem a data do voo sem cobrança de taxas.

Após um ano com inúmeras quebras de companhias aéreas, 2020 começa com enorme ameaça à saúde de várias empresas endividadas ou com operações de baixa margem de lucro, sobretudo as chamadas low cost. Não será absurdo ver uma “epidemia” de falências nos próximos meses se a crise se agravar.

Interior de voo entre Chicago e Tóquio: aviões vazios têm motivado companhias a permitirem que passageiros mudem datas de voos sem custos (@maisiethetortie)

Veja também: Anvisa informa procedimentos em aviões para possíveis casos de coronavírus no Brasil

Total
50
Shares
1 comment
  1. Não tem NADA a ver a falência da Flybe com o Corona vírus! Pelo amor de Deus!!!!!! Ela já vinha muito mal das pernas faz tempo! Aiaiaiaiaiai….

Comments are closed.

Previous Post

Virgin posterga estreia no Brasil devido ao coronavírus

Next Post

Projeto mais caro na história da aviação, caça F-35 alcança 500 unidades entregues

Related Posts