Novo Bandeirante? Embraer e FAB avaliam projeto de avião leve de transporte militar

Força Aérea Brasileira e a fabricante assinaram um acordo para iniciar estudo sobre um novo avião leve de transporte militar
Embraer EMB-110 - Força Aérea Brasileira
(FAB)

A Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram nesta quinta-feira (19) um acordo para estudarem em conjunto o projeto de uma nova aeronave leve de transporte militar.

Segundo a fabricante, o estudo busca identificar alternativas e soluções para atender às necessidades operacionais da FAB, especialmente na região Amazônica, marcada por “pistas extremamente curtas, estreitas, não pavimentas, desprovidas de infraestrutura e em localidades remotas”.

Pelo acordo firmado, a Embraer realizará os estudos de mercado para desenvolvimento da nova aeronave enquanto a FAB compartilhará a experiência que possui na operação de aviões nesse segmento.

“Estamos certos de que a experiência da Força Aérea Brasileira nos ajudará a estabelecer os requisitos mais adequados para esse estudo, resultando em um avião extremamente capaz”, disse Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

No comunicado sobre o novo trabalho, a Embraer diz que vai explorar a aplicação de novas tecnologias para atender às “demandas extremas” da FAB. Isso inclui “diferentes arquiteturas de sistemas, soluções inovadoras de plataforma e propulsão hibrida-elétrica”, lista a fabricante. O estudo também vai analisar a possibilidade de exportação da aeronave.

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Comandante da FAB, e Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, durante a cerimônia de assinatura (Embraer)

O acordo é anunciado ao mesmo tempo em que a FAB começa a receber as primeiras unidades do moderno KC-390 Millennium. Com o estudo, a força aérea agora busca alternativas para complementar e modernizar a capacidade de transporte nos segmentos inferiores.

Vem aí o Bandeirante elétrico?

Pela lista de requisitos que o estudo vai abordar, sobretudo na Amazônia, e as ambições da FAB, é difícil não pensar no projeto como um substituto para o Bandeirante, avião pioneiro da Embraer que neste ano completou 50 anos de seu voo inaugural.

Os Bandeirante em operação hoje com a Aeronáutica, designados C-95, são modelos das primeiras séries produzidas pela Embraer nos 1970. Ao longo dos últimos anos, a FAB operou quase 90 exemplares do bimotor em variadas funções, incluindo a versão de patrulha marítima P-95 Bandeirulha. A partir de 2012, parte dessa frota foi revitalizada e atualizada com equipamentos mais modernos e a vida útil dos aviões foi estendida até a próxima década, que já é logo ali…

O Bandeirulha é a versão militar de patrulha naval no Embraer Bandeirante (FAB)
O Bandeirulha é a versão militar de patrulha naval no Embraer Bandeirante (FAB)

Apesar de ainda ser apenas um “memorando de intenções” com a FAB para o início de um estudo sobre um novo avião leve, o projeto é uma possibilidade interessante para a “nova Embraer”. Sem o controle da divisão de aviação comercial, que será vendida para a Boeing em 2020, a Embraer pode encontrar um novo caminho no mercado.

O acordo com a fabricante dos EUA proíbe a Embraer de projetar novos aviões comerciais que compitam com jatos da Boeing ou da Boeing Brasil – Commercial, ainda em formação. Porém, a fabricante brasileira é liberada para explorar por conta própria possibilidades nos segmentos inferiores.

Todavia, segundo os termos da joint venture, a Boeing tem a preferência de ser a parceira da Embraer em novos projetos, caso eles sejam abertos para participação externa.

Um substituto para o Bandeirante, portanto, além de necessário, é uma grande chance para a Embraer emplacar um novo avião leve de última geração, incluindo comandos fly-by-wire e quem sabe até com motorização elétrica. Não só isso, a fabricante também voltaria ao seu território de origem.

Veja mais: Nova empresa de SP apresenta avião para substituir o Bandeirante

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  1. Existe um projeto de avião para transporte e carga até 19 passageiros para operar em pistas curtas e sem pavimento para ser utilizado em todas as regiões do Brasil. Esta aeronave é da empresa Desaer, a qual tem o projeto do ATL-100, aeronave bimotor, turboélice. Este projeto poderia ser alavancado pela FAB e investidores nacionais e estrangeiiros, uma vez que esta aeronave tem uso civil e militar e poderá ser utilizada em várias regiões do mundo.

  2. Insisto que para a Amazônia as pistas são seus rios e seus lagos. Então pergunto por que a FAB não investe em aviões que decolam e pousam na água como os antigos Catalinas? Será que nos quadros da FAB não existem oficiais superiores nortistas que conhecem muito bem essas peculiaridades da região? Com os aviões desse tipo a FAB poderia atender um percentual maior dessa população tão desassistida, sem incorrer nos custos elevadíssimos para implantar infraestrutura aeroportuária nessas milhares de comunidades.

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