Airbus suspende produção em fábricas na Espanha e França

Fábricas serão fechadas por quatro dias para a implementação de procedimentos de limpeza e higienização contra o coronavírus
O voo inaugural do A330neo foi realizado no espaço aéreo próximo a fábrica da Airbus, em Toulouse (Airbus)
O voo inaugural do A330neo foi realizado no espaço aéreo próximo a fábrica da Airbus, em Toulouse (Airbus)
O voo inaugural do A330neo foi realizado no espaço aéreo próximo a fábrica da Airbus, em Toulouse (Airbus)
O voo inaugural do A330neo foi realizado no espaço aéreo próximo a fábrica da Airbus, em Toulouse (Airbus)

A Airbus anunciou nesta terça-feira (17) que interrompeu temporariamente as atividades de produção e montagem em suas instalações na Espanha e França pelos próximos quatro dias. O grupo europeu informou que durante esse período as fábricas vão adotar procedimentos mais rigorosos de limpeza e medidas especiais para impedir a disseminação do novo coronavírus (Covid-19) entre os funcionários.

“Estamos fazendo o possível para apoiar nossos funcionários afetados pelo fechamento de escolas e creches, proporcionando a eles o máximo de flexibilidade para lidar com a situação. Isso inclui habilitar o escritório em casa, sempre que possível, e ao mesmo tempo garantir a continuidade dos negócios na Airbus para cumprir os compromissos com clientes e cumprir os regulamentos nacionais”, diz a nota da Airbus.

A paralisação temporária nas fábricas da Airbus acontece um dia após autoridades espanholas e francesas endurecerem as restrições sobre movimentação e aglomeração de pessoas em locais públicos para conter o avanço da pandemia de Covid-19.

Com mais de 11 mil casos da doença confirmados, a Espanha decretou no domingo (16) estado de emergência e pediu à população que não saia de casa, além impedir o acesso de estrangeiros (fora do espaço Schengen). Em discurso no mesmo dia, o presidente francês, Emmanuel Macron, também anunciou mais medidas para impedir a propagação do vírus no país, proibindo encontros em locais públicos e o fechamento das fronteiras.

O grupo Airbus possui três bases de produção e montagem na França (Toulouse, Marignane e Elancourt) e duas na Espanha (Madrid e Sevilha). As medidas de restrição em vigor na Espanha e França não impedem a realização de atividades industriais e logísticas, embora as autoridades recomendem cuidados de saúde para evitar mais contágios.

A unidade em Madrid/Getafe produz a maior parte das caudas dos jatos comerciais da Airbus (Airbus)

No dia 12 de março, a fabricante informou que um funcionário da unidade em Madrid havia testado positivo para Covid-19. Como medida de precaução, todos os colegas de trabalho que estiveram em contato direto com esse funcionário estão em quarentena por 14 dias.

O plano de restrições de movimentação e cuidados com a pandemia também vale para o alto escalão da Airbus. Executivos estão proibidos de viajar para regiões de alto risco de contaminação do coronavírus e quem retornar desses locais deve ficar em quarentena por 14 dias. Já os clientes e visitantes devem declarar seus históricos de viagens antes de acessar as fábricas e escritórios do grupo europeu.

Impacto nos negócios

O surto do novo coronavírus iniciado na China no final de 2019 e hoje classificado pela OMS como pandemia desencadeou uma crise sem precedentes na economia mundial. Com os mercados paralisados, a demanda de transporte aéreo desabou e companhias aéreas no mundo estão estacionando a maior parte de seus aviões e cortando voos.

A nova crise que afeta a aviação comercial certamente deve reduzir o número de aeronaves entregues de todas as fabricantes no final de 2020. A Airbus ainda não faz previsões, mas já começou a sentir os efeitos do coronavírus em seus negócios: a fabricante não registrou nenhum pedido em fevereiro e clientes estão adiando o recebimento de novos jatos.

“Implementamos um monitoramento dedicado e robusto para avaliar o potencial impacto da situação do coronavírus em nossos negócios”, diz a nota da Airbus.

A crise do coronavírus também bate na porta da Boeing. No começo de março a empresa confirmou que um funcionário na planta de Everett testou positivo para Covid-19 e tomou medidas para proteger os demais colaboradores.

A Boeing agora tem duas crises para administrar: o coronavírus e o aterramento do 737 MAX (Steve Lynes)

De acordo com o jornal Chicago Tribune, nos últimos dois meses, a Boeing reduziu em cerca de 25% a produção de aeronaves widebodies e os cortes podem continuar até o final do ano.

O avanço do coronavírus também pode atrasar ainda mais o retorno do 737 MAX ao mercado. A produção da aeronave aterrada há mais de um ano está suspensa desde janeiro e a Boeing segue trabalhando para atualizar o avião e conseguir a nova certificação para voos comerciais, esperada para o segundo semestre de 2020.

Segundo estimativa da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), o impacto do coronavírus pode causar perdas de até US$ 113 bilhões no mercado de aviação comercial em 2020. A análise da IATA, publicada no início de março, ainda não considerava o avanço da epidemia na América do Sul e Caribe, regiões que hoje também estão afetadas pela crise.

Para a CAPA (Center for Asia Pacific Aviation), consultoria da Aviation Week Network, governos do mundo todo devem agir imediatamente para evitar uma “catástrofe” no mercado de aviação e prevê que até o final de maio a maioria das empresas aéreas do mundo todo podem falir.

E a Embraer?

Em contato com o Airway, a Embraer informou que está acompanhando a pandemia e vem adotando medidas recomendadas pela OMS para evitar o contágio de Covid-19 entre os seus colaboradores. A fabricante diz que desde fevereiro vem realizando ações com os funcionários sobre o coronavírus.

Linha de montagem da Embraer em São José dos Campos – SP (Embraer)

Na semana semana, a Embraer proibiu viagens de funcionários para regiões de alto risco e quem voltou desses locais deve permanecer em quarentena. A empresa também sugere que os funcionários que não precisam trabalhar nas fábricas façam home office, especialmente grávidas, pessoas com mais de 60 anos ou em tratamento de saúde.

“Colaboradores que estão em viagem nesse momento deverão consultar um médico no retorno ao país. Quarentena é mandatório para funcionários que tenham tido contato com pacientes que tenha testado positivo para Covid-19”, diz o comunicado da Embraer divulgado nesta terça-feira (17).

“A Embraer se somará às demais companhias globais, intensificando o incentivo ao home office e concedeu mais autonomia para cada líder tomar a decisão de quais atividades e profissionais podem ou necessitam iniciar imediatamente o trabalho remoto, preservando a saúde das pessoas enquanto garante a continuidade dos negócios.

No começo de março, o CEO da Embraer Aviação Comercial, John Slattery, disse em entrevista ao AIN que havia recebido consultas de clientes sobre a possibilidade de adiar o recebimento de aeronaves, em “algumas semanas ou mês”.

Veja mais: KLM acelera aposentadoria do Boeing 747 devido ao coronavírus

 

 

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