Embraer é capaz de quebrar duopólio Airbus-Boeing, aposta banco

Morgan Stanley elevou a fabricante brasileira ao posto de escolhida preferida entre empresas aeroespaciais. Ações subiram mais de 10% em um dia
Jato E195-E2 no Singapore Airshow (Embraer)
Jato E195-E2 no Singapore Airshow (Embraer)

A Embraer ganhou um impulso formidável do banco Morgan Stanley na quinta-feira, 14 de março. Em uma análise divulgada à investidores, a entidade financeira colocou a fabricante brasileira como sua “top pick” entre empresas aeroespaciais.

A classificação positiva fez as ações da Embraer saltarem mais de 10% apenas em um dia. No acumulado do ano, o valor de mercado da empresa cresceu 33,4%.

O Morgan Stantey justificou a recomendação ao considerar que a Embraer é capaz de quebrar o duopólio Airbus-Boeing no segmento. As duas gigantes produtoras de aeronaves dominam as vendas na aviação comercial e têm presença importante em defesa, espaço e em outros nichos de negócios.

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“A empresa possui um portfólio renovado de novos produtos como o E190-E2 e E195-E2 na categoria de jatos de passageiros comerciais, o Phenom 100/300 e o Praetor 500/600 em jatos executivos, o KC-390 Millennium na defesa e capacidades expandidas de Manutenção, Reparo e Revisão (MRO) em serviços,” disse o Morgan.

“A Embraer evoluiu de um fabricante de aeronaves de nicho para uma empresa globalmente proeminente e diversificada no setor Aeroespacial & Defesa, pronta para conquistar participação de mercado”, acrescentou a análise.

Jato E175 da American Airlines
Jato E175 da American Airlines (Embraer)

Após uma mal-sucedida joint venture com a Boeing na aviação comercial, a Embraer teve que repensar seu negócio e buscar maior eficiência para cobrir perdas com o acordo frustrado.

Em paralelo, a empresa brasileira e sua ex-parceira estão em litígio nos Estados Unidos em virtude do fim do acordo de US$ 4,2 bilhões. O banco acredita que a Embraer vá ser indenizada pela quebra do contrato pela Boeing.

Carteira de pedidos ainda pequena

A valorização dos papeis da empresa ocorre em um momento em que ela acaba de receber um pedido grande de 90 jatos E175 da American Airlines.

A aeronave regional com 76 assentos está sozinha no mercado após o fim da produção dos jatos CRJ e o cancelmento do programa SpaceJet, da Mitsubishi.

Com a nova encomenda, o backlog deverá se aproximar de 400 aeronaves comerciais, patamar que foi conseguido pela última vez em 2018.

Boeing e Embraer
O acordo entre Boeing e Embraer deve ser concluído nos primeiros meses de 2020 (Airway)

Ainda assim, as vendas dos jatos da família E2 seguem aquém da geração anterior. Até dezembro de 2023, a Embraer tinha 306 pedidos firmes do E190-E2 e do E195-E2, ou 16% do que obteve os E-Jets (1909 aeronaves).

A capacidade produtiva da fabricante também é bem mais contida do que Boeing e Airbus. A empresa planeja voltar a entregar 100 ou mais aviões comerciais nos próximos dois anos enquanto a Airbus tem sete vezes mais entregas.

Em declarações recentes, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, tem dito que está chegando o momento de a empresa colher os frutos de anos de trabalho. Ele acredita que logo as companhias aéreas terão um olho mais apurado sobre seus produtos. Ao que parece, o Morgan Stanley concorda com isso.

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  1. Temos potencial sim, mas no futuro. Mas a foto do ano de 2023, mostra que a Bombardier do Canadá ainda vende mais em Dólares. Em 2023 venderam USD 8bi. Já a Textron Aviation vendeu USD 4,5bi. E a EMB vendeu USD 6bi. É que a Bombardier vende jatos executivos de médio e grande porte. E os valores neste segmento são altos. E não se enganem com a Textron.

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