Jato comercial chinês C919 inicia 2022 em meio à atribulações

Aeronave de passageiros, que deveria ter sido certificada no final de 2021, permanece atrasada em relação ao cronograma, a despeito de promessas de entrada em serviço em 2022
Um dos seis protótipos do COMAC C919 (COMAC)

O controvertido programa C919 continua a colecionar frustrações para a COMAC, sua fabricante, e o governo da China.

Mais avançado jato comercial já desenvolvido no país, o avião parece ainda distante da sua entrada em serviço, passados mais de 10 anos após o início da fabricação do primeiro protótipo.

Com seis aeronaves de testes participando do programa de certificação, a expectativa da COMAC era de entregar o primeiro C919 em dezembro de 2021 para a China Eastern Airlines.

No entanto, atrasos causados pela pandemia do Covid-19 teriam postergado o prazo. Quatro dos seis aviões estariam sem voar há meses, presos na cidade Xi’an, que entrou em lockdown em 22 de dezembro por conta do aumento de casos das doença.

Apesar disso, Wu Yongliang, um dos mais importantes executivos da fabricante, garantiu recentemente que o primeiro C919 será entregue ainda em 2022 e que o trabalho está evoluindo “da forma prevista”.

O primeiro C919 de produção: entrega em 2022

Segundo o site AirInsight, o C919 ainda precisa completar 242 voos de certificação, mas até agora os protótipos só haviam realizado 34 voos programados – além deles, os jatos já acumularam muitas horas de voo, porém, sem contarem para o processo.

Outro site, o Leeham News, foi mais enfático ao prever que o jato comercial chinês só entrará em serviço entre 2023 e 2024. De acordo com ele, o C919 é uma aeronave pesada e com autonomia menor do que seus concorrentes ocidentais.

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Tido como um concorrente do A320 e do Boeing 737, o C919 começou a ser concebido nos anos 2000 e em 2011 teve início a construção do primeiro avião. O voo inaugural, no entanto, só ocorreu em 2017 e desde então, o desenvolvimento passa por atrasos seguidos.

Assim como o russo MC-21, a China sofre embargos dos EUA quanto à utilização de componentes ocidentais como os turbofans Leap-1C, mas enquanto a UAC já testa uma variante com motores domésticos PD-14, a COMAC não tem ainda à disposição uma opção chinesa.

Motor Leap-1C, da CFM: embargos do Ocidente podem atrasar programa

O turbofan CJ-1000A, que está sendo desenvolvido pela ACAE, ainda não está pronto e é alvo de acusações de ter sido concebido por meio de engenharia reversa.

A despeito das inúmeras dificuldades, é certo que o governo chinês não deixará o programa perecer já que ele é um dos pilares da independência industrial do país na área de aviação. Mas até lá não será surpresa se mais vexames continuarem ocorrendo na longa caminhada para chegar ao objetivo de contar com um modelo de aeronave comercial que ocupa o nicho de mercado mais popular no transporte aéreo.

Com uma clientela local garantida não exatamente por argumentos ténicos, o C919 chegará ao mercado, isso não há dúvida, resta saber quando.

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