A Virgin vai iniciar os testes com o novo combustível a partir de 2017 (Divulgação)

A Virgin deveria ter estreado na rota Brasil-Reino Unido neste mês, mas agora os dois países ficarão completamente desconectados em abril (Divulgação)

No ano passado, nada menos que 657 mil passageiros circulam nas rotas entre o Brasil e o Reino Unido, segundo dados da ANAC. Trata-se de um aumento de 18% no tráfego aéreo se comparado a 2018 entre as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Londres, onde existem voos regulares. Neste ano, tudo indicava que o movimento seria ainda maior afinal no primeiro bimestre 104,5 mil pessoas voaram entre os dois países, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.

Reforçava essa previsão o fato de a rota estar prestes a ganhar mais um concorrente, a Virgin Atlantic, que estrearia um voo entre São Paulo (Guarulhos) e Londres (Heathrow) no final deste mês. Além dela, voam diariamente entre esses destinos a LATAM e a British Airways – e que também tem um voo diário para o Rio de Janeiro.

Como se sabe, a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) colocou o mercado de transporte aéreo de pernas para o ar e no Brasil não tem sido diferente. Pois os reflexos da doença mudaram completamente o cenário promissor dessa e de outras rotas internacionais a ponto de nosso país estar prestes a deixar de operar voos para a Grã-Bretanha durante quase todo o mês de abril.

A Virgin Atlantic foi a primeira a ser afetada pelo surto e já no início de março anunciou que postegaria a estreia de seu voo com jatos Boeing 787-9 para 5 de outubro, quando o coronavírus ainda não atingia a aviação comercial de forma tão dura quanto agora. Quase duas semanas depois foi a vez da Norwegian Air anunciar a suspensão dos voos entre o aeroporto de Gatwick, no sul de Londres, e Galeão, no Rio de Janeiro até pelo menos o dia 17 de abril. Diante da situação financeira gravíssima da empresa low-cost, é pouco provável que a rota seja retomada tão cedo.

Restavam, no entanto, a British Airways e a LATAM, mas na sexta-feira, 27, a companhia aérea britânica confirmou que os voos entre o Rio de Janeiro e Londres serão suspensos a partir desta segunda-feira enquanto a rota entre São Paulo e a capital do Reino Unido será temporariamente desativada nesta terça-feira, ambas até o dia 22 de abril. Ainda segundo a empresa, o voo diário entre Guarulhos e Heathrow será retomado normalmente após esse período, enquanto a rota Rio-Londres terminará o mês com voos em dias alternados.

Voo entre o Rio e Gatwick (Londres) da Norwegian foi suspenso (Norwegian UK)

Neste domingo, foi a vez da LATAM anunciar a suspensão temporária de quase todos os voos internacionais, incluindo a frequência diária entre São Paulo e Londres. A companhia diz que manterá apenas alguns voos entre a capital paulista e Santiago, Miami e Nova York. A medida vale até o dia 30 de abril, mas pode ser alterada de acordo com a evolução da pandemia e as restrições impostas pelos países onde opera.

Durou enquanto pode

O tráfego aéreo internacional no Brasil teve até uma sobrevida maior do que em muitos outros países que decidiram proibir parcialmente ou totalmente os voos vindos do exterior, diante do agravamento da crise. As medidas de restrição, no entanto, somadas às desistências e mudanças por iniciativa dos próprios passageiros, minaram a viabilidade econômica da maioria dos voos nesse período.

O próprio governo federal passou a negar a entrada de estrangeiros em nosso país, tornando ainda mais difícil manter esses voos. Entre as companhias americanas, poucas rotas permanecem ativas como o voo entre São Paulo e Atlanta, da Delta Air Lines, e não por acaso seu maior hub. A rival United Airlines manteve seu voo entre a capital paulista e Houston, também onde concentra muitas rotas internas – a American Airlines, por sua vez, optou por suspender todas as suas rotas.

Na Europa, a situação não é diferente. Companhias como Iberia, Air Europa, Turkish e a brasileira Azul também suspenderam praticamente todos os seus voos enquanto Air France, KLM, Lufthansa, TAP e Alitalia mantiverm algumas frequências. Fora desses mercados, as companhias Aeromexico, Ethiopian e Qatar seguem operando normalmente enquanto a Emirates, TAAG, Royal Air Maroc, Copa, Air Canada e todas as sul-americanas não voarão para o Brasil ao menos durante o mês que vem.

Boeing 777-300ER da LATAM: voos internacionais quase todos suspensos (John Taggart)

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