Conheça os concorrentes do Embraer C-390 Millennium

Aeronave multimissão fabricada no Brasil tem rivais nos EUA, Ucrânia, Rússia e China
O KC-390 é projetado para transportar até 26 toneladas de carga, capacidade superior a do Hercules (FAB)
Substituto do Hercules: o KC-390 está em serviço com a FAB desde 2019 (FAB)

Maior e mais avançada aeronave desenvolvida no Brasil, o Embraer C-390 Millennium é um jato militar de porte médio com características e performances consideradas imprescindíveis para qualquer força aérea no mundo. É um avião multimissão, concebido para atuar numa grande variedade de operações, sendo empregado em campos de batalha e ações humanitárias.

Projetado para atender a demanda da Força Aérea Brasileira (FAB) e substituir os veteranos turboélices Lockheed Martin C-130 Hercules, o C-390 também virou uma opção atraente para mais países. Além do Brasil, o avião militar da Embraer foi encomendado por Portugal e ainda desperta o interesse de Argentina, Chile, Colômbia e República Tcheca.

Rara novidade em uma categoria com tão poucas opções, a aeronave da Embraer surge no mercado bélico como o principal concorrente do Hercules, que de longe é o cargueiro militar médio mais vendido no mundo com mais de 2.500 unidades entregues em quase 70 anos de carreira.

O icônico C-130, no entanto, não é o único oponente do Millennium, embora seja o mais famoso de todos. Outras opções de cargueiros da mesma categoria do Embraer C-390 são produzidos ou estão em fase de desenvolvimento na China, Ucrânia e Rússia, como veremos a seguir:

Lockheed Martin C-130J Super Hercules

O Hercules é uma das maiores provas na indústria aeronáutica do quanto uma antiga plataforma pode ser reaproveitada e atualizada ao longo dos anos. Introduzido na força aérea dos EUA no longínquo ano de 1956, o C-130 vem atuando há quase seis décadas como o “pau pra toda obra” das forças militares norte-americanas, transportando soldados e equipamentos pelo mundo todo, em tempos de paz ou em momentos de grandes conflitos.

Lockheed Martin C-130J - USAF
Versão avançado do C-130, o Super Hercules está em serviço em 23 países (USAF)

A versão mais recente da aeronave é o C-130 “Super Hercules”, desenvolvido na década de 1990. Com uma aparência externa semelhante à dos Hercules mais antigos, o modelo J se diferencia pelos motores turboélices mais potentes e de menor consumo de combustíveis, hélices de seis pás (antes eram quatro pás) e aviônicos digitais. O esforço da modernização surtiu efeito e a performance da aeronave teve uma melhora significativa.

O C-130J era virtualmente um avião militar com desempenho imbatível até a chegada do Embraer C-390 Millennium, que supera o concorrente da Lockheed Martin em quase todos os requisitos, além de ser superior tecnologicamente e muito mais rápido devido ao emprego de motores a jato.

De acordo com o fabricante norte-americano, o C-130J pode transportar uma carga total de 19 toneladas a uma velocidade máxima de 590 km/h, enquanto o C-390 comporta mais de 20 toneladas e alcança até 870 km/h. O Hercules vence o avião da Embraer somente em autonomia (que varia muito de acordo com a carga) por conta do menor consumo de combustível dos motores turboélices.

Antonov An-178

O Antonov AN-178 pode voar a velocidade máxima de 825 km/h a 12.000 metros de altitude (Foto - Antonov)
O primeiro cliente do An-178 será o Ministério do Interior do Peru, que comprou um exemplar (Antonov)

De todos os cargueiros militares médios oferecidos atualmente, o que mais se assemelha ao design e performances do Embraer C-390 é o An-178 da Antonov. Tal como o avião brasileiro, o modelo fabricado na Ucrânia e impulsionado por dois motores a jato e possui comandos de voo computadorizados (fly-by-wire). Outra semelhança entre os aviões é o desejo de “roubar” clientes do Hercules.

Lançado pela Antonov no começo desta década como uma variante do jato comercial An-158, o An-178 fez seu primeiro voo em maio de 2015, três meses após a decolagem inaugural do Embraer C-390. A fabricante ucraniana nutria expectativas de vender grandes lotes da aeronave para as forças armadas da Rússia, mas o distanciamento de Kiev e Moscou nos últimos anos implodiu essa possibilidade – tanto que a Rússia começou a desenvolver seus próprio cargueiro médio, como falaremos a seguir.

Segundo a Antonov, o An-178 pode transportar 18 toneladas de carga, oito a menos que o C-390, mas supera o avião da Embraer em velocidade máxima e teto operacional: alcança 990 km/h e 43.000 pés (13.000 metros) de altitude, contra 870 km/h e 36.000 pés (11.000 m) do modelo fabricado no Brasil.

Compare o An-178 com o KC-390, da Embraer

Ainda em fase de desenvolvimento e certificação, o An-178 por enquanto tem apenas um cliente e ele não é a força aérea da Ucrânia. O operador de lançamento do cargueiro militar será o Ministério de Interior do Peru, que encomendou uma única aeronave e espera recebê-la em 2021.

Ilyushin Il-276

Ainda sem data para chegar ao mercado, mas com um grande cliente garantido, o Ilyushin Il-276 é a aposta da Rússia para aposentar seus antigos cargueiros fabricados ainda nos tempos da União Soviética, entre eles muitos aparelhos da ucraniana Antonov, hoje um desafeto dos russos.

Desenvolvido a passos lentos desde 2009, o Il-276 foi escolhido recentemente pelo governo de Vladimir Putin para reequipar a frota de transporte logístico da força aérea russa. Otimistas, o russos cravaram que o avião deve decolar em meados de 2023, mas a história já mostrou que projetos desse porte podem atrasar no país, a despeito de todo avanço da indústria local.

Concepção artística do Il-276; primeiro voo é prevista para meados de 2026 (Ilyushin)

Dados preliminares sobre o Il-276 apontam uma capacidade de carga máxima de 20 toneladas, velocidade de cruzeiro na faixa dos 850 km/h e alcance de 2.000 km com carga máxima ou 7.300 km em voos de deslocamento (ferry flight).

Acompanhando a tendência dos novos cargueiros médios, o Il-276 será impulsionado por dois motores a jato, tal como o Embraer C-390 e o Antonov An-178, mas ainda não prevê o uso de comandos fly-by-wire, tecnologia que os russos utilizam por hora somente em caças.

Shaanxi Y-9

O Embraer C-390 também tem um concorrente na China, o quadrimotor turboélice Y-9 produzido pela fabricante estatal Shaanxi Aircraft Company. Ligeiramente maior que o avião brasileiro, o cargueiro chinês voou pela primeira vez em 2010 e dois anos depois foi incorporado nas frotas da força aérea, exército e marinha chinesa, que operam em conjunto cerca de 30 aeronaves.

Shaanxi Y-9 - força aérea chinesa
O Shaanxi Y-9 é uma espécie de versão modernizada do antigo Antonov An-12 (Divulgação)

O Y-9 é uma evolução do Shaanxi Y-8, que por sua vez é fruto da engenharia reversa do Antonov An-12, o “Hercules soviético”. Apesar da origem controversa, o avião chinês tem números interessantes: comporta 25 toneladas de carga (uma a menos que o C-390), 106 soldados paraquedistas (contra 66 do Embraer) e tem versões especiais adaptadas para missões de guerra eletrônica e psicológica e controle aéreo e alerta antecipado.

Veja mais: A triste história do único Concorde que virou sucata

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