A Embraer possui mais de 1.500 jatos em serviço enquanto a Airbus só entregou 113 A220 até abril (Steve Lynes/CC)

Longe de enxergar algum lado bom na terrível pandemia do coronavírus, mas as mudanças que deverão afetar o mercado de transporte aéreo podem beneficiar os jatos da Embraer. A queda na demanda nas rotas domésticas e de curto alcance já tem motivado várias companhias aéreas a utilizar aeronaves menores. Um sinal disso foi mostrado pela consultoria Cirium recentemente, que revelou que 45% dos aviões em serviço ofereciam de 70 a 150 assentos, justamente o nicho onde a Embraer oferece seus modelos.

A proporção é ainda maior nos EUA, mercado onde a fabricante brasileira possui uma ampla frota de aviões da família E-Jet. Em artigo em seu site, a Embraer ressaltou esse aspecto: “O termo ‘tamanho certo’ nunca foi tão apropriado. Ainda há um longo caminho a percorrer antes que possamos reivindicar vitória sobre as crises, mas, à medida que o vento sopra, as companhias aéreas com aeronaves de tamanho certo se recuperam mais rápido e mais forte“.

Esse movimento no tráfego aéreo de passageiros tem sido notado com mais evidência nas rotas de longo alcance, onde aeronaves muito grandes como o Airbus A380 e o Boeing 747 estão sendo sacadas de serviço. Mesmo alguns bimotores que outrora eram viáveis economicamente passaram a ser aposentados.

Se essa tendência realmente se confirmar, será uma grande inversão nos valores da aviação comercial nos últimos anos, que buscava oferecer aeronaves de corredor único com grande oferta de assentos como o Airbus A321 ou mesmo o Boeing 737-800, com capacidade entre 180 e 240 lugares.

Levantamento da consultoria Cirium mostra que jatos entre 70 e 150 lugares estão sendo mais usados durante a pandemia

Sem concorrentes

Por um acaso, atualmente a Embraer figura em uma posição extremamente confortável no mercado entre 70 e 150 assentos. Seu modelo E175 de primeira geração continua a atrair muitos pedidos sobretudo das companhias aéreas dos EUA e não possui concorrente já que a Bombardier abandonou o segmento e a Mitsubishi desistiu de desenvolver o SpaceJet M100.

Entre 100 e 150 lugares, a empresa brasileira tem um adversário de peso, a Airbus, que assumiu a C Series da Bombardier e os renomeou como A220. Mas o jato de nova geração é um produto caro e que tem mais pedidos na variante A220-300, que pode levar entre 120 e 160 passageiros.

No mercado de aeronaves usadas, mais uma vez a Embraer se sobressai, com mais de 1.500 aeronaves em serviço enquanto o A220 possuía somente 113 unidades entregues até abril. Apesar disso, a situação financeira da empresa gera preocupação. Após ver a joint venture com a Boeing fracassar e suas ações perderem valor, a Embraer tem pleiteado um empréstimo do governo brasileiro para manter suas operações enquanto o mercado não se recupera e, quem sabe, ela não comece uma nova fase de crescimento nesse novo cenário.

Ao fundo o A321 e em primeiro plano o novo E190-E2: aviões com grande capacidade estão sendo preterido pelas companhias aéreas (Kevin Hackert/CC)

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